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A importância do autocuidado: como conseguir engajamento em programas de promoção da saúde e da qualidade de vida

15 de maio de 2018


Para especialistas, identificar necessidades reais é o primeiro passo rumo a transformações efetivas nos hábitos de vida – dentro e fora do ambiente corporativo

Segundo o chamado modelo transteórico, desenvolvido em 1982 pelos PhDs em psicologia James Prochaska e Carlo DiClemente – da Universidade de Rhode Island –, o caminho que leva a mente humana a encampar (e concretizar) qualquer tipo de mudança de comportamento passa por diferentes etapas.

Reunidas numa dinâmica que os especialistas denominaram “roda da mudança”, essas fases partem da “pré-contemplação” – ponto zero da mudança – indo até a recaída, que pode ou não ocorrer, mas nem por isso deve deixar de ser prevista.

Ao longo desse caminho, ocorrem a consciência do problema (etapa da contemplação), a busca por oportunidades para mudar (etapa da determinação), iniciativas concretas (etapa da ação) e formas de manter-se na nova realidade (etapa da manutenção).

O que isso tem a ver com gestão de saúde populacional (GSP) nas empresas? Quando abordamos a questão do ponto de vista das pessoas com as quais se vai trabalhar, é possível dizer que muito. Os estudos realizados por Prochaska e DiClemente comprovaram a máxima popular de que “só muda quem quer”. E, ainda segundo os criadores da teoria, apenas 20% das pessoas se propõem a encarar esse desafio – e avançar nele.

O que nos coloca diante de um problema bastante atual no universo corporativo, no que diz respeito ao setor saúde: como estimular os colaboradores a se engajarem nos programas de saúde que visam transformar hábitos de vida, rumo a uma maior qualidade de vida?

Sedentarismo, tabagismo, obesidade, doenças crônicas, estresse e ansiedade são males vêm “disputando” o primeiro lugar em levantamentos sobre os problemas de saúde que mais afetam as pessoas hoje – e que contribuem para fenômenos contemporâneos como o absenteísmo, por exemplo.

Dados de uma pesquisa realizada pela Isma-BR – representante local da International Stress Management Association – mostram que 9 em cada 10 brasileiros no mercado de trabalho apresentam sintomas de ansiedade, do grau mais leve ao incapacitante. Metade (47%) sofre de algum nível de depressão.

No que toca às doenças crônicas, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) informa que cerca de 40% da população adulta brasileira tem pelo menos uma dessas enfermidades que evoluem com o tempo – conhecidas pela sigla DCNT (Doenças Crônicas Não Transmissíveis).

A hipertensão e o diabetes aparecem em primeiro lugar entre as queixas, acometendo 21,4% das pessoas. Em seguida, surgem problemas crônicos de coluna e taxas elevadas de colesterol, reclamação de 18,5% dos entrevistados.

Entender para resolver

Para Sandra Maria, Presidente do Grupo Geia – que atua no segmento benefícios para empresas e entidades de classe –, tão desafiador quanto estruturar um programa de saúde é engajar as pessoas para que elas criem e mantenham hábitos saudáveis. Por conta disso, pensar hoje em GSP implica também em encontrar soluções para que as ações encontrem façam sentido junto ao público interessado.

O CEO do Carevolution, consultoria em saúde e bem-estar, Ted Feder acredita que um olhar mais próximo sobre os perfis e hábitos de uma determinada população – grupos, setores ou departamentos quando falamos em empresas – é o melhor ponto de partida. Estratégia que ele chama de abordagem positiva.

“Cada pessoa tem seus recursos e pode buscar o que faz sentido para ela. Então, em vez de ser um modelo de cima para baixo, começamos na via contrária, ou seja, perguntando para as pessoas o que elas querem fazer. Essa é a pergunta fundamental”.

A CEO do Laboratório Sabin, Lidia Abdala, lembra da importância de se criar indicadores que ajudem a medir o retorno desses programas. Mas complementa dizendo que, mais importante do que criar esses parâmetros, é ter clareza quanto ao que fazer com os resultados obtidos nas análises.

A executiva usa como exemplo uma pesquisa de clima organizacional realizada anualmente pelo laboratório junto a seus funcionários e que, segundo explica, tem oferecido informações preciosas também para a gestão de saúde.

“Esses relatórios nos mostram, inclusive, a satisfação das pessoas com relação ao equilíbrio da qualidade de vida pessoal e profissional”, informa. “É um indicador que acompanhamos já há 13 anos, e ano a ano vamos analisando se os números melhoram, o que as pessoas estão sinalizando para a gente, onde e como nós podemos refinar e melhorar nossos programas”.