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Análise de dados e criação de indicadores – fortes aliados na hora de decidir investimentos em saúde corporativa

4 de outubro de 2018

Na era da informação, contar com boas fontes de dados – e conhecimento para processá-los e transformá-los em ações assertivas – tornou-se uma “lição de casa” obrigatória para todas as empresas para realizar uma gestão de saúde eficaz

O primeiro passo para se falar em saúde corporativa é traçar o perfil epidemiológico da população atendida. Com esse terreno bem preparado, ferramentas de coleta e análise de dados ganham em potencialidade, podendo gerar, como fruto, o conhecimento para criar indicadores que auxiliem nas melhores práticas de Gestão de Saúde Populacional (GSP) nas empresas.

Esse entendimento é importante – entre outros aspectos – para monitorar com mais precisão níveis como o de absenteísmo, tornando possível avaliar de forma mais criteriosa os motivos que levam à queda de produtividade ou mesmo a afastamentos por parte dos colaboradores.

Em foco estão, sobretudo, as chamadas Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) – diabetes, obesidade e pressão alta, por exemplo –, cujo aumento de casos está, muitas vezes, atrelado a fenômenos contemporâneos, como o aumento da expectativa de vida.

Segundo informações do Ministério da Saúde, as DCNT correspondem a 72% das causas de mortes no Brasil hoje. Os dados aparecem na publicação Plano De Ações Estratégicas Para o Enfrentamento Das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) No Brasil 2011-2022, disponível na Biblioteca Virtual de Saúde do Ministério.

A convite da Aliança para a Saúde Populacional (ASAP), a importância de dados e indicadores para a tomada de decisões sobre investimentos em saúde corporativa foi debatida por Luiza Cruz Dannenberg, Gerente Executiva do Segmento de Employers da Optum e Marcos Rabello, Diretor Executivo da Captamed, com mediação de Luciene C.M. Giusti, Executiva da ASAP.

RH integrador

Para os especialistas, o departamento de Recursos Humano desempenha um papel-chave nessa questão. Um aliado poderoso da área da saúde corporativa na captação de dados, segundo avaliação de Luiza Dannenberg. Mas, a exemplo do que acontece em outros enredos da GSP e da Saúde Corporativa, os esforços precisam ser integrados.

Sendo assim, ao RH devem se juntar também, dentro das empresas, a área de benefícios e a de medicina ocupacional, seja ela própria da organização ou terceirizada. Uma importante contribuição pode vir também dos fornecedores – principalmente corretoras de planos de saúde e consultorias de benefícios. Hoje, dois dos maiores parceiros do RH na construção de indicadores que auxiliem na gestão de saúde. “Mas podemos pensar também no PBM, Programa de Benefícios de Medicamentos, que trazem informações valiosas sobre o consumo de medicamentos em especial àquelas de uso contínuo. É  sempre um terceiro que presta esse tipo de serviço. Mas é importante saber por exemplo, as classes terapêuticas de medicamentos que os colaboradores estão consumindo”, diz Luiza.

Outra importante fonte de dados podem ser os ambulatórios médicos. São a eles que os funcionários recorrem no dia a dia, deixando ali informações que podem ser fundamentais na hora de criar ou direcionar programas de saúde – seja para tratamentos, seja para prevenção.

Entre a busca por um simples remédio para dor de cabeça e uma consulta ao médico do trabalho, esse departamento consegue acumular dados que, se bem processados e analisados, podem indicar caminhos importantes para a gestão de saúde.

Os planos de saúde e o sigilo das informações

Luciene Carvalho Mendes Giusti, Executiva da ASAP, lembra que, muitas vezes, as empresas se queixam de dificuldades para conseguir dados e informações junto às operadoras de planos de saúde. E, de fato, a questão é delicada: de um lado, está a necessidade de os empregadores conhecerem o máximo possível os níveis de saúde de seus colaboradores; de outro, a confidencialidade desses dados.  “As operadoras normalmente bloqueiam essa informação”, confirma Dr. Rabello. “Porque ela é relativa ao paciente”.

Mas, para Luiza Cruz, existe um caminho: contar com profissionais responsáveis por essas informações e seus usos.  “Atualmente, estamos passando por uma mudança bastante criteriosa, em que os pacientes têm que autorizar a divulgação de suas informações”, diz ela. “E isso tem que ser feito de médico para médico. Então, um gestor médico pode passar esses dados para outro gestor médico. Mesmo quando estamos falando do perfil epidemiológico da população. Mas tudo deve ser feito de forma estruturada, com um layout e arquivos protegidos”.

Investimento e entrega de valor

Dois dos indicadores mais usados hoje por empresas, no mundo todo, são os chamados ROI (sigla para o termo em inglês Return On Investment – Retorno Sobre Investimento) e as taxas de sinistralidade. Para os especialistas ouvidos pela ASAP, ambos são úteis e imprescindíveis para uma boa gestão de investimentos e ações em saúde. Mas não devem ser os únicos.

“O Retorno Sobre Investimento, na verdade, é o resultado de uma boa gestão” , lembra Luiza. Ela recomenda que o gestor tenha em mente os chamados custos diretos e os indiretos. A sinistralidade, por exemplo, é um custo direto – é a segunda maior conta dos recursos humanos depois do plano de saúde. Somados a esses, há os custos indiretos – acidentes de trabalho ou mesmo recursos que mantêm saudável a imagem institucional de uma empresa.

Daí a importância de contar com outros indicadores. E eles podem vir de estratégias já bastante familiares aos recursos humanos, como as pesquisas de satisfação dos colaborares, as que medem o clima organizacional e as avaliações de absenteísmo, índice de afastamentos. “Elas nos dão uma percepção do potencial de trabalho, de entrega de valor aos colaboradores”, conclui Dr. Rabello.

 

Luiza Cruz Dannenberg, Luciene Giusti e Marcos Rabello

Luiza Cruz Dannenberg, Luciene Giusti e Marcos Rabello