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CASES ASAP EM BOAS PRÁTICAS DE GESTÃO CORPORATIVA

14 de agosto de 2017

Recentemente, a ASAP promoveu o evento Boas Práticas em Gestão de Saúde Corporativa, em Belo Horizonte, com a proposta de debater como o grande financiador da saúde suplementar no país – o setor corporativo – pode contribuir para a readequação do modelo atual, centrado na doença, para outro com ênfase na prevenção e promoção da saúde e qualidade de vida, com engajamento nos programas de Gestão de Saúde Populacional. O objetivo do evento foi promover um fórum de discussões sobre as boas práticas de gestão de saúde corporativa a partir da Pesquisa CDC Health ScoreCard, que busca avaliar a maturidade dos programas de saúde desenvolvidos nas empresas brasileiras. O evento contou com dois painéis, durante os quais cinco empresas dos diversos segmentos da saúde: Laboratório Sabin, Unimed Rio Preto, Roche, SulAmérica e Aon compartilharam suas experiências e práticas para o desenvolvimento de um cuidado Integrado. Conheça, nesta edição, alguns dos cases apresentados.

Sabin: o envolvimento da família nos programas de saúde populacional trouxe resultados satisfatórios de produtividade, engajamento e baixo absenteísmo
Quando uma colaboradora do Sabin Medicina Diagnóstica perdeu o pai aos 52 anos de infarto fulminante pelo motivo dele nunca ter feito um check-up em toda a sua vida, a empresa decidiu agir: no dia do aniversário, o funcionário leva de presente para os pais uma série de exames, ação que integra o programa “Eu cuido dos meus pais”.
Atuante em 10 estados do Brasil, além do Distrito Federal, com quatro mil colaboradores e 74% dos cargos de lideranças ocupados por mulheres, o Sabin Medicina Diagnóstica tem, entre as empresas do seu ramo de atuação, os menores índices de turnover (6,8% ao ano, quando a média do mercado é de 20 a 25%), e de absenteísmo (1,5% ao ano, contra 4,5% do mercado). O índice de engajamento é de 94%.
“Quando falamos em cuidar da saúde, estamos pensando no bem-estar físico, emocional, espiritual e financeiro dos nossos colaboradores”, diz a Presidente Executiva do Sabin, Dra. Lídia Abdalla. A estratégia da empresa para alcançar resultados tão satisfatórios é envolver e atrair a família dos funcionários para participar dos programas e ações de saúde populacional oferecidos pela empresa. “Ao longo dos anos, o que foi importante para conseguirmos adesão e resultados aos nossos programas de saúde populacional foi a participação dos familiares”, diz Dra. Lídia. Segundo ela, de nada vale cuidar do colaborador apenas nas dependências da organização se em sua comunidade e núcleo familiar não há uma cultura de alimentação saudável, bem-estar e exercícios físicos. No Sabin, a família participa dos grupos de corrida, da academia, do programa de gestantes, entre outros.
Segundo Dra. Lídia, as pesquisas de clima organizacional apontam que os funcionários estão satisfeitos com os cuidados de saúde promovidos pela empresa, sendo este um dos principais motivos que os levam a querer permanecer no Sabin. “Nossa preocupação é que colaborador esteja bem no ambiente de trabalho para produzir com motivação e engajamento e, assim, aumentar a produtividade. E tudo isso é demonstrado em nossos indicadores”.

Roche: Diversidade
“A Roche oferece uma diversidade de programas de bem-estar para proporcionar benefícios de maneira abrangente e customizada para as diferentes necessidades de públicos distintos”
Cyntia Silva, Coordenadora de Benefícios e Bem-Estar Roche Farma Brasil

Os 1.300 funcionários alocados em diferentes cidades e também o time de vendas que está em todo o Brasil, com diferentes perfis e necessidades, levaram a Roche a definir sua estratégia para promover saúde: oferecer diversidade. “Nem todos precisam das mesmas coisas e pelo fato de nossas ações serem abrangentes, observamos uma boa utilização dos benefícios de acordo com a realidade individual de cada colaborador”, explica a coordenadora de benefícios e bem-estar da Roche, Cyntia Silva.
Em 2013, o Grupo Roche lançou o programa mundial Live Well: find your balance, que estabeleceu diretrizes para a implementação de programas de promoção à saúde sustentados em quatro pilares, que são estilo de vida saudável, práticas de prevenção, bem-estar emocional e recursos de bem-estar. As ações que compõem estes pilares são muito valorizadas pelos funcionários, afirma Cyntia. Segundo ela, a equipe de vendas avalia positivamente o programa gympass, que permite o uso de academias credenciadas por todo o país, atendendo uma necessidade desse colaborador que viaja e quer praticar uma atividade física. Atualmente, 40% do time de vendas utiliza o benefício. Outra ação muito bem avaliada é a alimentação servida no restaurante da empresa que, segundo Cyntia, o índice de satisfação é de 80% conisderando as somas dos conceitos bom e ótimo. O pilar estilo de vida saudável engloba as ações relacionadas a promoção para uma alimentação adequada e atividade física e a Roche “incentiva fortemente” essas ações, explica Cyntia. “Investimos fortemente na oferta de uma alimentação saudável, pois é incompatível pensarmos em saúde sem se preocupar com essa base”. Para quem não almoça na empresa, que é o caso da equipe de vendas, a Roche trabalha na conscientização para as melhores escolhas. “Claro que não conseguimos interferir de uma maneira tão direta, já que não somos nós quem oferecemos a alimentação, mas disponibilizamos a orientação para que o funcionário faça as melhores escolhas. Acreditamos muito no bom senso e livre arbítrio, não pretendemos cercear o funcionário, apenas oferecemos um benefício e o incentivamos para que usufrua da melhor maneira possível, pela saúde dele”.
Há cinco anos a Roche vem estruturando suas ações de saúde, aprimorando-as continuamente, tendo como alicerce os quatro pilares, que estabelecem prioridades e apontam as necessidades dos trabalhadores de todas as localizações da empresa. “Enxergamos o funcionário dentro de uma diversidade bio-psico-social, entendemos quais são as necessidades de um público específico. Seja pela natureza do trabalho ou pela localidade, muitas vezes surgem necessidades distintas e por isso temos de priorizar ações de uma maneira diferente”.
O trabalho remoto, que permite aos funcionários saírem até três horas mais cedo às sextas-feiras, frutas duas vezes ao dia, quick massage, shiatsu, atendimento nutricional, vacinação, curso para gestantes e a Wellbeing Week, uma semana inteira dedicada à palestras e atividades relacionadas à saúde, estão entre alguns dos benefícios da Roche. Resultados: melhor percepção dos trabalhadores quanto ao clima da empresa. “Trabalhamos com retorno agregado, em alguns casos, de forma intangível, mas com impacto na organização como um todo. Nossas lideranças são engajadas em promover e incentivar as pessoas a participarem dos programas de promoção de saúde”.
Para que programas de promoção à saúde obtenham sucesso, Cyntia explica que é preciso que a empresa conheça suas reais necessidades. “Não utilize programas de prateleira, olhe com cuidado para dentro de sua organização antes de sair fazendo. O que faz sentido para a empresa, muitas vezes não faz sentido para os colaboradores, pois pode não ser o que eles precisam. Ofereça soluções coletivas, e não individuais e, finalmente, não delegue aos fornecedores a gestão integral da saúde dos colaboradores de sua empresa”.

SulAmérica: Assertividade na abordagem
“Evidências de grandes pesquisas médicas randomizadas comprovam que o sucesso na mudança comportamental dos indivíduos ocorre de acordo com a assertividade na abordagem, considerando os estágios de prontidão para mudança comportamental em que ele se encontra”
Elisabeth Vignol Gutierrez, Gerência de Wellness da SulAmérica Saúde

Ancorados em mapeamento da população e identificação das necessidades e oportunidades de intervenção, os programas de promoção à saúde da SulAmérica têm muito a apresentar em termos de resultados. Segundo a Gerente de Wellness, Elisabeth Vignol Gutierrez, é a assertividade na abordagem que determina o sucesso ou fracasso para as necessárias mudanças comportamentais do indivíduo. Ela explica que a pessoa pode estar disposta a fazer uma atividade física e aceita conversar sobre a necessidade de mudança em sua alimentação, mas não pensa em parar de fumar. “Neste primeiro momento não cabe discutir a cessação do tabagismo, só vamos perder tempo. O melhor é focar nos pontos os quais há uma prontidão maior, pois dessa forma, as conquistas são mais fáceis e aumenta a autoconfiança e disposição do participante em continuar no programa, e percebendo os resultados”.
Entre alguns resultados, as experiências com o Programa SulAmérica Saúde Ativa, inaugurado em 2002, aponta que, na etapa da pré-contemplação (na qual não existe nenhuma predisposição para mudança), a efetividade da abordagem é muito baixa e aumenta a partir da fase de “Preparação”, mas é na fase de “Ação” que a mudança de comportamento é realizada. Por exemplo: no tema “excesso de peso e alimentação saudável”, o índice das pessoas que se encontravam na “Fase de Ação” em relação à alimentação saudável foi de 27% inicialmente para 65% pós-intervenção e no caso do estresse, foi de 9% para 36% pós-intervenção.
“Nos demais estágios, o que observamos é uma evolução em direção ao estágio de ação, quando então estará pronto para a mudança. A evolução para os outros estágios também é muito importante, mas ainda não se observa a mudança do hábito”.
Participam hoje de alguma das iniciativas do programa SulAmérica Saúde Ativa cerca de 100 mil segurados. A escolha das ações tem como estratégia o equilíbrio entre necessidades das populações (priorizar as iniciativas com maior impacto epidemiológico), necessidades dos clientes (melhorar o status da saúde financeira da empresa cliente) e impacto no custo assistencial (priorizar iniciativas que tragam maior estabilidade e melhora no estado de saúde). Elisabeth explica a relevância de cada uma das etapas que envolvem as ações do programa SulAmérica Saúde Ativa.
Segundo ela, o primeiro passo consiste na identificação de quais frentes de atuação serão priorizadas, considerando as condições que mais impactam o resultado do grupo analisado e o potencial de resultado (clinico & financeiro) que a intervenção pode trazer. Já o segundo passo é a busca ativa dos elegíveis, utilizando algoritmos para as doenças selecionadas, construídos em conjunto entre profissionais de saúde e estatísticos (ou matemáticos). “O mais comum é a utilização da base de dados do Contas Médicas, mas utilizamos também a VPP (validação prévia de procedimentos), auditoria médica, uso de medicamentos, declaração de saúde e o questionário de saúde e bem-estar”. Outra forma de identificação, muito simples e muito eficaz é a auto-inscrição para participação, que pode ser no site ou intranet, ou diretamente no ambulatório da empresa, com base em informações sobre o programa, a quem se destina, modelo de atuação. Geralmente a assertividade da auto-inscrição é muito boa (aproximadamente 90%). O terceiro passo é a confirmação da elegibilidade, com abordagem direta, geralmente por telefone, considerando se a pessoa tem interesse em participar e quais são os pontos de maior fragilidade e de melhor prontidão para serem trabalhados.
Tratam-se de passos possíveis de serem implementados por qualquer empresa, “pois não há custo para nenhuma dessas fases. Ela é primordial e é possível fazer com muito ou com pouco recurso”, diz Elisabeth.
Questionada a respeito do retorno que as ações do programa SulAmérica Saúde Ativa propiciam, a Gerente de Wellness afirma: contribuem para alcançar as metas criadas pela própria organização no que consiste para a melhora da saúde e bem-estar dos funcionários e dependentes. “Essas metas geralmente envolvem os custos na utilização dos serviços de saúde, não necessariamente na sua redução, mas no seu custo evitado; nos dias de trabalho perdidos, como o absenteísmo e afastamentos, na satisfação com a empresa e no Índice de qualidade de vida dos funcionários”. O resultado varia de acordo com a composição do grupo, engajamento, maturidade dos programas e tempo de execução.

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Palestrantes participam de debate com a plateia