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Economia da Saúde: conceitos e desafios rumo à organização, funcionamento e financiamento no setor

9 de fevereiro de 2018

A Economia da Saúde surgiu como um ramo da economia aplicado ao estudo da organização, funcionamento e financiamento do setor Saúde. Nos últimos anos, no entanto, vem ganhando destaque como uma área de conhecimento específico, voltado ao desenvolvimento e ao uso de ferramentas próprias para a análise, a formulação e a implementação de políticas ligadas à saúde.

Esse conhecimento envolve o desenvolvimento de metodologias relacionadas, entre outros aspectos, ao financiamento do sistema, a mecanismos de alocação de recursos, à apuração de custos e à avaliação tecnológica. Seu principal objetivo é o aumento da eficiência no uso dos recursos e a equidade na distribuição dos benefícios.

Combate ao desperdício

Fenômenos demográficos (como a urbanização e o envelhecimento da população), aliados ao aumento da expectativa de vida e ao surgimento de novas tecnologias na medicina, têm resultado num crescente aumento dos gastos em saúde – tanto pública quanto privada. O desperdício e a fraude surgem como complicadores, ao lado da falta de informação por parte dos diferentes agentes dessa cadeia – entre eles, os próprios pacientes.

Para Henrique Serra, Gerente de Saúde Populacional do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, esse desperdício permeia toda cadeia produtiva da saúde hoje – a ponto de consumir até 30% dos recursos. “Quando se estuda esse processo produtivo, observamos que toda a cadeia está comprometida”.

Os custos do presenteísmo e absenteísmo

Especialistas afirmam que empresários e gestores devem ser bem assessorados na hora de desenhar ou aprovar medidas internas na área da saúde, a fim de conhecerem os custos decorrentes de uma gestão calcada, por exemplo, mais no tratamento de doenças do que na promoção da saúde.

Segundo Louis Servizio, Diretor Executivo da Wellcast, os chamados custos econômicos são os que devem ser revistos com mais urgência. Associados ao presenteísmo e ao absenteísmo, esses gastos causam o que ele chama de “sangramento lento” – e com pontos difíceis de serem identificados. O resultado é, por um lado, a perda de produtividade e, por outro, custos com indenizações e o aumento da rotatividade de funcionários. Uma equação nada positiva. “Além disso, são custos que podem ‘doer’ ainda mais do que os com gastos financeiros, aqueles ligados a tratamentos”.

Mas é possível avançar num caminho diferente. Atualmente, ao contrário do que já ocorre com custos médicos, gastos com presenteísmo, absenteísmo, afastamentos e indenizações permanecem fora dos cálculos. É quando a Economia da Saúde pode contribuir oferecendo ferramentas de avaliação que permitam uma visão mais abrangente do cenário – a fim de que se possa racionalizar o uso dos recursos.

Desafio para o RH

O departamento de Recursos Humanos representa um papel fundamental na construção desses novos enredos em gestão da saúde populacional por parte das empresas. Planos estratégicos de prevenção de doenças – criados em conjunto com os departamentos médicos –, análises da contribuição de programas em termos de redução de custos e definição de metas de sucesso para essa atuação, estão entre as medidas que RH pode tomar.

O êxito dessa empreitada está ligado à qualidade da comunicação interna – seja com CFOs ou CEOs. O segredo é customizar o discurso para cada audiência. Diretores financeiros precisam conhecer variantes como a Taxa Interna de Retorno (TIR), o Valor Presente Líquido (VPL) e custo/benefício das medidas para deliberar sobre o investimento. Para os funcionários, é preciso deixar clara a relação entre uma boa gestão de sua própria saúde e a qualidade de sua vida produtiva – em outras palavras: quanto mais saudável, maiores as chances de sucesso profissional.

“Nos últimos dez anos, temos assistido a uma série de iniciativas por parte das empresas na área da saúde populacional. Mas muitas dessas iniciativas acabam não tendo um acompanhamento adequado e um resultado medido de fato”, comenta Ricardo Ramos, CEO da Funcional Health Management e Diretor Técnico da ASAP.

 

Ricardo Ramos, CEO da Funcional Health Management, Henrique Serra, Gerente de Saúde Populacional do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e Louis Servizio, Diretor Executivo da Wellcast: união contra o desperdício

Ricardo Ramos, CEO da Funcional Health Management, Henrique Serra, Gerente de Saúde Populacional do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e Louis Servizio, Diretor Executivo da Wellcast: união contra o desperdício.