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Entrevista com Alexandre Kalache

16 de junho de 2015

“Diante das tendências que apontam para o aumento da população idosa e diminuição de nascimentos, é cada vez mais urgente que debates ajudem a refletir sobre os impactos ao sistema de saúde provocados pelo novo arranjo populacional”

Alexandre Kalache, co-Presidente da Aliança Global de ILCs, debate como a Gestão de Saúde Populacional é capaz de apontar problemas e promover soluções para o conflitante cenário que envolve a saúde populacional. Leia a entrevista:

ASAP – Qual a relevância da ASAP no papel de no papel de promotora de debates e eventos de interesse para Gestão de Saúde Populacional?

Alexandre Kalache – Vejo a ASAP como um órgão de formação de opinião dos gestores de Saúde mobilizando, por meio de seus membros, as instituições acadêmicas, públicas e do setor privado que, juntas, são responsáveis pela provisão de políticas da saúde em nosso país.

ASAP – Como o International Longevity Centre Brazil trabalha para uma eficiente Gestão de Saúde Populacional?

Alexandre Kalache – Diante das tendências demográficas da população brasileira – cada vez mais pessoas idosas e menos nascimentos – a Gestão de Saúde Populacional deve ter como princípio fundamental questões como: estamos aparelhados para responder a um perfil de doenças em rápida transformação com o aumento contínuo de enfermidades não transmissíveis como principais causas de morbidade e mortalidade? Como estruturar a questão de cuidados de longa duração já que o número de potenciais cuidadores está progressivamente diminuindo? Como será a força de trabalho, quando houver menos jovens e uma numerosa população envelhecida? A sociedade brasileira está preparada para lidar com as peculiaridades da saúde do idoso? Os profissionais de saúde estão sendo treinados para responder à nova realidade em que cuidar passa a ser tão ou mais importante do que curar?

Essas são algumas das questões de competência do Centro Internacional de Longevidade Brasil (International Longevity Centre Brazil – ILC-BR), seja pela ótica de um contínuo aumento da longevidade sob o ponto de vista sócio-econômico, seja pela análise demográfica indicativa de transformações. Uma competência expressa através de debates, fóruns públicos, disseminação de informação e de estudos que reflitam o impacto para a saúde pública deste novo arranjo populacional no Brasil e no mundo.

As contribuições do ILC-BR (em essência um “think tank”) para a eficiência da Gestão de Saúde Populacional são referenciadas pelo marco político do “envelhecimento ativo”, um quadro teórico e prático estruturante da ação social; pela perspectiva de “curso de vida” – fator decisivo para o bem-estar em todas as idades, em especial na velhice; o enfoque “amigo do idoso”, como estratégia de implementação de políticas para todas as idades; e a “cultura do cuidado” como prática presente ao longo da vida e indispensável para a fase de fragilidades, quando é preciso ir além de promoção e prevenção.

ASAP – Como vê a sua participação no Conselho Consultivo da ASAP?

Alexandre Kalache – Participar do Conselho da ASAP oferece-me a oportunidade de influenciar sua agenda de trabalho, em particular por meio de sinergias entre o que nós fazemos, não só no ILC-BR como também na Aliança Global de ILCs, já que dela sou co-presidente.