Cobertura – Fórum 2015

Fórum ASAP 2015: Cobertura

Fórum ASAP 2015: mais de 300 lideranças estratégicas, três palestrantes internacionais e experiências em modelos de saúde da Ásia, Europa e Estados Unidos

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Com o tema “Tecnologia em Saúde como importante estratégia para o engajamento” o Fórum ASAP 2015 contou com mais de 300 lideranças estratégicas, atraídas pela alta experiência profissional e pelo conteúdo ímpar apresentado pelos três palestrantes internacionais: Frederic Goldstein, CEO da Population Health Alliance, Kaveh Safavi, CEO da Accenture e Oliver Harrison, vice-presidente da Healthways Internacional.

A constatação de que o custo da assistência médica só é inferior aos custos da folha de pagamento desperta nas corporações uma necessidade além da simples oferta de um plano de assistência médica, meramente pagador de despesas com a doença de seus colaboradores, modelo que ainda é hegemônico, mas que não se sustenta economicamente, afirmou a Superintendente Executiva da ASAP, Marilia Ehl Barbosa, em seu discurso de abertura.
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O viés econômico, no entanto, não é a única motivação para se buscar uma nova forma de gerir um empreendimento assistencial. É preciso que haja, mais do que uma preocupação, um compromisso com a produção da saúde das populações que se pretende assistir.

Segundo a executiva da ASAP, é fundamental ter um depositário das melhores práticas, das mais adequadas metodologias, das técnicas e métricas mais precisas. “É isso que a ASAP vem fazendo. A Aliança pretende ser o ‘locus’ onde as pessoas e instituições possam encontrar as ferramentas necessárias à superação dos desafios da gestão da saúde das populações que assistem”.

 

Atingir este objetivo pretensioso da ASAP não é tarefa fácil. Passa a ser a grande missão das 45 empresas associadas.

“Prova disto foi o Fórum 2015 que reuniu as lideranças estratégicas do Brasil, especialistas nacionais e internacionais para debater os desafios da saúde brasileira sob a perspectiva da Saúde Populacional”.

A Aliança para a Saúde Populacional – ASAP é uma organização fundada há dois anos no Brasil, em alinhamento com a norte-americana Population Health Alliance, criada há 20 anos.

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A ASAP quer convocar os principais gestores para que entendam que será fundamental cuidar para que as pessoas permaneçam saudáveis. Que a sobrevivência das organizações passa pela necessidade de mudanças na sua atuação, para que não mais simplesmente tratem os doentes, sem qualquer preocupação com a evolução da saúde das pessoas sob a sua responsabilidade.

Paulo Marcos Senra, presidente da ASAP, ressaltou que sobrevive no país um modelo arcaico no qual para que haja lucros muitos precisam perder sua saúde. “Esse modelo não se sustenta mais, a ASAP preza por uma população saudável, no qual exista a prevenção e os médicos garantam saúde”.

 

Accountable Healthcare – aumentando a qualidade, reduzindo custos gerais e limitando os gastos desnecessários.

Um sistema de saúde caro, com acesso limitado, o qual os médicos são remunerados por procedimentos e, por isso, “a tendência é que executem cada vez mais procedimentos médicos”, o que resulta em gastos cada vez mais elevados. “Esse modelo precisa mudar”, enfatizou o CEO da Population Health Alliance, Frederic Goldstein, no Fórum ASAP 2015, ao apresentar para mais de 300 lideranças estratégicas os entraves que impedem a redução dos custos do sistema de saúde dos Estados Unidos, um dos mais onerosos do mundo. Dados do Banco Mundial auferidos entre os anos de 2010 a 2014 apontam que o sistema norte-americano gasta, com saúde, nove mil dólares por pessoa, o mais alto entre os demais países pesquisados. Em segundo lugar estão o Canadá e a Suécia, em torno de seis a cinco mil dólares per capita, enquanto Japão, Alemanha e Reino Unido variam de três a cinco mil dólares por pessoa. O gasto no Brasil, segundo a mesma pesquisa, é de mil dólares por pessoa, o mesmo patamar de países como Argentina, Panamá e México.

Com uma apresentação sustentada em dados acadêmicos e bibliografia sobre o modelo Accountable Healthcare, Goldstein apresentou quais as três condições necessárias e simultâneas para se alcançar qualidade nos cuidados com saúde nos Estados Unidos: mais experiência em prevenção, identificação da população e empenho em redução de custos em saúde. As pré-condições para que tudo isso seja efetivo incluem o compromisso com a universalidade de seus membros, bem como a existência de Organizações de Tratamento Responsável (Accountable Care Organizations – ACOs, originárias do modelo Accountable Care) que assumam a responsabilidade pela execução dos três objetivos acima citados, apontou o CEO da Population Health Alliance, ao reproduzir no slide apresentado aos participantes trecho do artigo “The triple aim: care, health and cost”, dos autores Donald Berwick, Thomas Nolan e John Whittington.

Segundo o mesmo artigo, o papel a ser desempenhado pelas Organizações de Accountable Care envolve pelo menos cinco componentes: parceria do indivíduo e suas famílias, redesenho do modelo de cuidados primários, mapeamento das populações de gestão de saúde, melhorias na gestão financeira e integração com o macrossistema de saúde. Nos Estados Unidos muitas ACOs estão sendo montadas, de variados tipos, como a de médicos, de hospitais, de planos de saúde, mas nem todas crescem nas mesmas proporções. Os destaques são para o aumento dos grupos médicos e sistemas hospitalares, estes, preparados para atenderem diversos setores.

O documento intitulado “Early evidence on medicare ACOs and next steps for the medicare ACO programs (updated)”, datado de 23 de janeiro de 2015 confirma que as ACOs lideradas por equipes médicas de menor porte apresentaram melhores resultados, do que quando executados por grandes grupos hospitalares, em razão serem capazes de implantarem mudanças mais rapidamente.

“As ACOs são responsáveis pelos gastos, oferecem aos profissionais de saúde prêmios por controle de custos, além de remunerarem por desempenho, e não por serviços. Essa é a estrada que as ACOs estão tentando trilhar”, disse Goldstein.

Tecnologia
O eficiente desempenho das ACOs depende do acesso à tecnologia, necessária para manter atualizados os dados clínicos dos pacientes, garantir o fluxo de trabalho estruturado com objetivo de reduzir erros que poderiam ser evitados e perda de dados de exames, e também permitir, por meio de canais como uso de mensagens enviadas por celulares, um elo entre médico e paciente. Explicou Goldstein que no caso das ACOs a tecnologia auxilia também a manter profissionais mais capacitados, o que aumenta a produtividade e eficiência operacional. “O uso de dados ajuda o médico a entender o que está acontecendo com o paciente e como está sendo tratado, por isso é preciso que haja um sistema que analise esses dados e auxilie os profissionais a tomarem decisões mais acertadas”. Ainda a respeito da tecnologia, Goldstein citou o uso de dispositivos móveis – celulares e smartphones – para ações de monitoramento, como envio de mensagens aos pacientes, lembrando-os da hora de tomar o remédio. “Se a plataforma de tecnologia não for eficiente, não haverá redução de custos”.

Resultados e desafios
“Os resultados obtidos pelas ACOs são mistos e há baixa relação entre qualidade e redução de custos”, diz Goldstein. Apesar de crescerem substancialmente – em 2011 existiam, nos Estados Unidos, 64 ACOs, neste ano o número já alcançou 744, segundo dados da Accountable Care Intelligence – ainda há problemas a serem sanados. Entre eles estão o aperfeiçoamento da metodologia de pagamento, adequação do tamanho da equipe médica, incremento da tecnologia e mudança na estrutura de gestão para que médicos assumam posição de líderes. “Nem sempre os médicos estão interessados em reduzir os custos da infraestrutura dos hospitais”.

Na avaliação do CEO da Population Health Alliance é muito difícil diminuir custos de saúde quando os médicos são remunerados por serviço, “por isso a tendência é que executem mais procedimentos médicos”. “Para melhorar a saúde da população não é preciso mais hospitais e nem mais médicos”.

Painel de debates
Após apresentar o modelo e a evolução das ACOs nos Estados Unidos, seus resultados e desafios, Frederic Goldstein respondeu aos participantes sobre as possibilidades de adaptações desse sistema no Brasil. Segundo ele, aqui há uma demanda não atendida, e não só pela falta de leitos, enquanto há outras formas de prestar serviços mais eficientes que não passe necessariamente pela internação. “O Brasil precisa buscar formas mais eficientes de prestar atendimento com menor custo, como canais alternativos aos pacientes”.

cobertura-forum-asap-2015-4-2Questionado sobre os principais problemas de saúde populacional do Brasil e dos Estados Unidos, Goldstein afirmou que a obesidade, em seguida do diabetes e doenças crônicas, são doenças que pressionam os custos com saúde. “Hoje os idosos são os que apresentam custos mais altos por conta das doenças crônicas, mas já há crianças de dois anos de idade com diabetes tipo dois, e isso vai impactar muito as despesas no futuro”.

Ao pontuar a importância da tecnologia para alcançar qualidade nos serviços de saúde populacional, Goldstein afirmou que é preciso engajamento, tanto por parte dos beneficiários, quanto dos profissionais de saúde. Apesar de um diagnóstico correto ser feito no consultório, muitas vezes o paciente vai para casa e não atende a nada do que foi recomendado, por isso é preciso um sistema mais ajustado para estimular o engajamento, explica o CEO. “É necessário um sistema integrado com dados sobre o paciente, que possa ser acessado por qualquer profissional de saúde, em qualquer lugar, uma radiografia, por exemplo, que possa ser compartilhada em rede, por qualquer médico, para que haja eficiência e redução de gastos desnecessários”.

 

Como os componentes emocionais influenciam na adesão e permanência das pessoas nos programas de Gestão de Saúde Populacional – a importância da Comunicação Estratégica para atingir o alvo e garantir o envolvimento

cobertura-forum-asap-2015-5-2“Emoção. Tudo é resultado da emoção”. Com esta frase o diretor de criação da ADAG Comunicação, José Cascão, resumiu toda a sua apresentação para um público formado por mais de 300 líderes em gestão de saúde, participantes do Fórum ASAP 2015. Ao apresentar alguns vídeos que expuseram a importância da emoção para alcançar o engajamento, o destaque foi para o filme que trazia um senhor com deficiência visual, sentado nas ruas de uma grande metrópole, que pedia esmolas. No vídeo, o senhor segurava um cartaz que explicava sua condição – cego – mas que não comovia quem por ele passava, até que um dia uma mulher mudou os dizeres da mensagem: “Está um belo dia, mas não consigo vê-lo”. A substituição do cartaz e dos dizeres emocionou quem leu, que retribuiu com centenas de moedas.

“A mensagem precisa surpreender o público alvo e fazê-lo pensar”, disse Cascão. Segundo ele, os departamentos de Recursos Humanos são responsáveis por criar campanhas que movimentem as pessoas, que sejam feitas de forma diferente da usual. “Com emoção é possível conseguir resultados melhores. Sem emoção e sem criatividade, não tem graça”. Ainda segundo Cascão, fazer o conhecido é menos arriscado, porém os resultados podem ficar aquém, enquanto que optar pelo ousado, pelo diferente e pelo inusitado pode trazer respostas mais compensatórias.
cobertura-forum-asap-2015-6-2Para Marcelo Katayama, instrutor de treinamento do Núcleo Ser, fazer um trabalho de comunicação estratégica para atingir os objetivos – no caso, a adesão dos colaboradores aos programas de Gestão de Saúde Populacional nas empresas – depende de serem conhecidas as histórias de vidas das pessoas, suas crenças e o contexto no qual o programa está sendo apresentado. “Ninguém compra um plano de saúde quando está passando por um momento de dificuldade na vida pessoal ou com mau humor, esses são contextos que influenciam no estímulo para realizar uma escolha”.

Ainda segundo Katayama, os programas de promoção da saúde dentro das empresas precisam transmitir a certeza de que serão benéficos aos participantes, e que estes sintam-se importantes para as companhias como indivíduos e como grupo ao qual pertencem. Para que tudo isso funcione bem, ressaltou ele, é essencial que as pessoas estejam conectadas com as empresas e com os programas por meio da tecnologia. “O colaborador tem de ter a sensação de que está crescendo ao participar desse ou daquele programa”. Sobre esse aspecto, o instrutor de treinamento do Núcleo Ser ressaltou que as pessoas se sentem estimuladas quando há uma recompensa palpável. “Conheço quem tenha emagrecido porque queria brincar com os filhos, esse foi o fator motivador dela”.
A importância da qualidade da base de dados para a adequada seleção dos participantes

Em um cenário que apresenta custos com saúde acima de 2% do PIB há pelo menos 50 anos, se faz urgente o uso de ferramentas práticas que reduzam as despesas e aumentem a produtividade. A afirmação é do vice-presidente da Healthways International, Oliver Harrison, para um público de mais de 300 lideranças que prestigiaram o Fórum ASAP 2015. Em sua palestra, Harrison sugeriu, para reduzir gastos com saúde populacional, adotar abordagens diferentes para lidar com cada doença não transmissível. Análises das causas dessas doenças, a região geográfica onde ocorrem, são formas de levantar dados e mensurar seus impactos sobre a produtividade. “O Big Data é um sistema que está se difundindo para melhorar os cuidados com saúde”, afirmou.

cobertura-forum-asap-2015-7-2Harrison pontuou que os celulares têm capacidade de armazenarem dados e informações, garantindo, portanto, o levantamento de dados por localização geográfica e permitindo – o que é mais importante – o mapeamento de doenças e o monitoramento de suas evoluções. “Para que possamos mensurar a eficácia, o custo dos tratamentos e os fatores de riscos necessitamos de dados. Tem acontecido um processo lento, mas constante, no levantamento de dados”. Continua Harrison: “Para comprovarmos que mulheres com um determinado tipo de câncer se beneficiem com um tratamento precisamos de informações”.

O vice-presidente da Healthways International apresentou como exemplo programas de países como Baobabe Malawi, onde clínicas iniciaram programas de identificação e monitoramento de pacientes com HIV. “Esse programa é simples, pesquisou mais de um mil pacientes e para isso não foi preciso muito dinheiro”.

Outro exemplo no uso de dados para reduzir os custos com saúde populacional apresentado por Harrison foi a intervenção na educação das pessoas de modo a estimular mudanças de comportamento. Informações disponibilizadas pela tecnologia podem ser capazes de estimular as pessoas a reduzirem a inatividade, o tabagismo e a má alimentação, disse.

Com uma apresentação repleta de exemplos sobre como usar a tecnologia para coleta de dados da população, Harrison mencionou também um case que envolveu 35 companhias de seguro de saúde e várias clínicas que reuniram seus dados e detectaram quais doenças poderiam ocorrer naquela população, como obesidade ou tabagismo.

Modelagem preditiva
“Detectar com antecedência quais doenças afetariam uma população resultaria em economia de recursos”. Para mulheres de uma determinada faixa etária e que moram em determinado país, quais seriam seus fatores de risco? “De posse desses dados seria possível medir o impacto da intervenção e identificar qual melhor método de tratamento e prevenção”.

Harrison ressaltou que a tecnologia permite o conhecimento e uso de muitas informações sobre os indivíduos, e essas informações, aplicadas ao modelo preditivo, permitem a oferta de melhores programas de saúde. “O que os pacientes contam nos consultórios são verdade? Nossas decisões quanto ao tratamento a esses pacientes estão no piloto automático e com o auxílio da tecnologia é possível termos em mãos os dados reais”.

O modelo preditivo consiste em formação de banco de dados a partir de coleta de informações dos indivíduos, sempre respeitando o sigilo e privacidade. Essas informações permitem prever as probabilidades de alguém ter pressão alta, angina, ou mapear cada população e projetar riscos e custos, antecipando programas de saúde com intuito de evitar internações. “A modelagem preditiva é alicerçada em ciência e já existem ferramentas práticas que comprovam que melhores ações levam a melhores desfechos”.

Painel de debates
Ao final de sua exposição Oliver Harrison respondeu às perguntas dos participantes. Questionado sobre o uso de dados nos sistemas público e privado no Brasil, o executivo disse que o importante é que exista a intenção de começar a implementá-lo e que para isso o país não espere pela vontade do governo ou do ministro da Saúde.

Harrison também sugeriu a aplicação de ferramentas analíticas para encontrar o melhor modelo de prevenção. “É preciso desenvolver uma abordagem estruturada para analisar as informações, o que importa é a qualidade dos dados, pois é assim que se cria valor e não a quantidade volumosa”.

Ao resumir sua apresentação, Harrison apontou que houve um progresso real na modelagem preditiva na última década e que o combate às doenças não transmissíveis requer o uso inteligente de dados. Quanto às ferramentas, existem muitas que já podem auxiliar os profissionais de saúde com risco de mapeamento, previsão de futuros gastos com saúde, identificação de segmentos populacionais e indivíduos que se beneficiaram de prevenção precoce.
Aprendendo com o que acontece no mundo – Lições para aprimorar os resultados em Gestão de Saúde Populacional

Logo no início de sua apresentação, o CEO da Accenture, Kaveh Safavi, deu seu recado: “As tecnologias digitais permitirão o acesso aos programas de saúde populacional e melhorarão sua qualidade, e não será possível fazer mais nada sem essas ferramentas”. Ele enfatizou também que, em alguns países, a saúde populacional funciona como um código político para entendimentos entre quem faz a gestão desses recursos e quem é responsável pelos cuidados sociais.

cobertura-forum-asap-2015-8-2Safavi apresentou estudo da Kaiser Permanente e La Fe Hospital Data no qual 60% dos custos são destinados às doenças de alta complexidade e crônicas. Os pacientes que apresentam riscos moderados consomem 20% dos recursos, o mesmo percentual destinado às doenças de baixo risco.

Outro estudo apresentado por Safavi, desta vez do Source Edelman Health Barometer, de 2010, revela que a prioridade dos indivíduos com relação à saúde varia entre os países. “A prevenção é apontada como mais importante nos mercados emergentes, a luta contra o câncer é uma prioridade dos países desenvolvidos, enquanto que o Japão é o país que mais gasta em cuidados com a saúde”. Pesquisa da Health Affairs, de 2002, apontou que os cuidados com a saúde apresentam a menor causa de mortalidade. Os maus hábitos e estilo de vida errado resultaram em 40% das mortes prematuras. A violência tem causado a morte (19% dos casos) das pessoas com menos de 50 anos de idade.

Desperdício versus Tecnologia
Os Estados Unidos levantaram as fontes de desperdício e detectaram algumas delas, que aparecem nas fraudes, quando os envolvidos com saúde cobram por procedimentos que não aconteceram, fracasso na política de preços, pois exames têm valores variados, podendo até custar o dobro em serviços diferentes. “Os Estados Unidos são o país que mais gasta com cuidados de saúde”.

Muitos países, não apenas os mais desprovidos de recursos, têm sido beneficiados com a telemedicina, ressalta o CEO da Accenture. Entre as formas de usá-la, Safavi aponta como exemplo as consultas que envolvem um médico que, ao mesmo tempo, atende a vários pacientes, ou um paciente que precisa de vários especialistas para curar o seu problema. “A tecnologia deve estar a serviço da saúde para aumentar a produtividade”.

Explica Safavi que a comunicação entre os médicos e pacientes é muito importante, sendo que a interação – envolvendo o uso de vídeos, por exemplo – aumenta o nível de satisfação. “Se em uma consulta o médico achar que o paciente precisa também de um outro especialista, a interação acontece naquele momento, já faz o contato e o resultado do tratamento é melhor”. A respeito das consultas entre grupos de pacientes com um mesmo médico, Safavi disse que os indivíduos gostam de interagir com quem têm as mesmas doenças, além desse tipo de consulta reduzir custos, diminuir a necessidade por áreas físicas e eliminar dúvidas dos pacientes. “As pessoas têm preferido as consultas virtuais do que as físicas, se a qualidade das informações forem as mesmas”.

Como bons exemplos que aconteceram pelo mundo, Safavi citou o caso de pacientes de um tipo de esclerose que elaboraram uma planilha e descobriram que o lítio não funciona para a doença deles. “Foi uma descoberta em conjunto e em tempo real, que demanda menos recursos que o tratamento convencional”.

Painel de debates
Safavi afirmou, quando perguntado sobre a eficiência da telemedicina, que as ferramentas precisam ser preditivas e baseadas em conhecimentos médicos. “Predição é um ato que depende da análise da população local”. Ele afirmou também que a globalização da assistência médica já está acontecendo. “A tecnologia permite que médicos colaborem com outros colegas à distância”.

“A assistência médica pode mudar comportamentos, e para isso é preciso que as populações tenham acesso à educação. E depois, além da educação, precisam de motivação para agirem”.

Desenho e desenvolvimento dos programas de Gestão de Saúde Populacional. Como criar um programa que seja atrativo para fidelizar os participantes?

De todo o PIB mundial, 4% se perdem nos acidentes e nas doenças relacionadas ao trabalho. Desde 2010 há registro de 140% no aumento dos custos do SUS com saúde no Brasil. Setenta por cento das mortes são por doenças crônicas que podem ter sido agravadas pelas condições de trabalho, segundo a Organização Mundial de Saúde. Em 2015, as mortes prematuras por doenças cardíacas, AVC e diabetes provocarão a perda de 49 bilhões de dólares em receita no Brasil.

cobertura-forum-asap-2015-9-2Depois de abrir sua palestra com números, o diretor técnico da Vale, Roberto Rovigatti afirmou que a maior parte dos programas de saúde é motivada pelas empresas, por isso o uso de dados dos funcionários “para a boa saúde deles” é uma ação da Vale. “As empresas pouco utilizam o que contratam nos planos assistenciais em prol da saúde de seus colaboradores”. “Na Gestão de Saúde Populacional não existe certo ou errado, o que é preciso fazer são as adaptações”.

Rovigatti – que dirige o Plano de Assistência à Saúde do Aposentado da Vale – PASA, responsável por 240 mil vidas, sendo 40 mil destas, aposentados, e 70% delas localizadas em Minas Gerais e Pará – disse que na empresa a abordagem aos cuidados com a saúde dos colaboradores ocorre o tempo todo, que a saúde integrada é o modelo da empresa, o que tem criado uma cultura de fato, pois o funcionário já ensina para a família o que aprende nos programas. “Dizemos que todos são responsáveis pela saúde”.

As premissas do programa de promoção da saúde da Vale são o aumento do número de pessoas saudáveis, reconhecer e interromper o processo de doenças antes de sua instalação e gerenciamento do risco de saúde nas populações. A ferramenta utilizada para que as premissas obtenham resultados é a comunicação a partir de seu gerenciamento e propagação de informações de saúde. “A informação tem sido mais do que uma ferramenta para que os programas tenham sucesso. O que garante a saúde do funcionário e evite que ele adoeça é a educação”, disse Rovigatti, que apontou São Luiz, Santa Inês e Açailândia as cidades que contam com os programas de saúde da Vale. “Nossa proposta na empresa é empoderar o indivíduo como responsável por sua saúde”.

Entre as fases do programa estão: levantamento de risco, classificação de risco, implantação e monitoramento. Maranhão, por ser o Estado mais carente de recursos de saúde do país, facilita a atuação da equipe de saúde da Vale naquela região, explicou Rovigatti. Segundo ele, essas equipes tornaram-se a referência de saúde dos funcionários moradores de São Luiz. “Os enfermeiros da Vale visitam cem por cento dos moradores da cidade e transformam para melhor a vida daquelas pessoas”.

cobertura-forum-asap-2015-10-2Para o coordenador de saúde e benefícios da CCR, José Antonio Coelho Junior, para trabalhar com saúde populacional é necessário estar atento à localização geográfica, clima, recursos naturais e recursos para a saúde. “É preciso ter estrutura para que a gestão seja feita de forma plena”. Os costumes, observou Coelho Junior, têm de estar no cômpito do programa para que traga retorno ao investimento da empresa. “Não adianta querer combater a anemia na Índia estimulando o consumo de carne bovina”.

Aferir a percepção para elaborar a melhor abordagem, recomenda. Ainda segundo o coordenador da CCR, quanto mais preventivo o programa de saúde, melhor. “O tempo ocioso dos socorristas da CCR é preenchido com ginástica e jogo de xadrez três vezes por semana com instrutor, e graças a Deus que eles fiquem bastante tempo ociosos, porque isso significa que não estão ocorrendo acidentes”.

Na avaliação de Coelho Junior os programas de promoção da saúde devem ser atrativos para fidelizar os participantes e abrangentes para alcançarem um número grande de pessoas. Outro ponto importante é permanecer atento ao cronograma para evitar que o programa fique desacreditado em razão de descumprimento das metas ou cancelamento de palestras, por exemplo.

Debate final – Gestão da Saúde como ferramenta para alcançar a sustentabilidade do Setor da Saúde

Temas como a obsolescência do sistema de saúde vigente, cenário da saúde populacional no mercado brasileiro e aumento da expectativa de vida foram abordados no debate de encerramento do Fórum ASAP 2015.

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O primeiro a se pronunciar foi o presidente da Bradesco Saúde, Marcio Coriolano, que levantou questionamentos sobre os dados dos usuários de planos de saúde corporativos disponíveis para análises. Segundo ele, a faixa etária dos 56 milhões dos beneficiários de planos empresariais é baixa. Por se tratarem de pessoas que estão no mercado de trabalho, as idades variam entre 29 e 31 anos. Por isso, “as bases de dados dos planos de saúde não são suficientes para atenderem a população de idosos”. Desse modo, prosseguiu Coriolano, “a ASAP desempenha um papel fundamental para empurrar o setor da saúde a incrementar essa base de dados e qualificar o sistema de informação”. Outra questão tocada pelo presidente da Bradesco Saúde foi o empoderamento do beneficiário e o efetivo engajamento dos colaboradores. “A cadeia de valor do beneficiário tem de ser efetiva e eficiente e não é o que temos no Brasil hoje”.

O presidente da Qualicorp, Maurício Ceschin, compartilhou com os participantes seu ponto de vista a respeito da melhor qualidade de vida que os brasileiros poderão desfrutar. Segundo ele, antes, as populações viviam menos de 60 anos, mas agora as novas gerações podem chegar aos 100 anos, resultado do avanço da tecnologia em medicina, novos medicamentos e procedimentos cirúrgicos. “Entregamos melhor qualidade de vida, saúde e longevidade e discutimos se isto está errado. Como sustentar um sistema de saúde para uma população que viverá 100 anos?”. Continuou Ceschin: “Temos de ser eficientes e mudarmos nosso modelo, e essa mudança passa pela gestão assistencial, sem isso não chegaremos a lugar algum”.

“Por que não focar na saúde?”, questiona. Segundo o presidente da Qualicorp o foco na está na saúde porque “não há solução única” e a mudança envolveria todos da cadeia, gerando desconforto. “Todos reclamam, mas ninguém sai do lugar, por enquanto as contas estão fechando no final do mês, o que prolonga a existência do atual modelo”. A respeito do empoderamento dos clientes de planos de saúde, Ceschin afirmou que é imprescindível que o beneficiário seja educado para a prevenção da doença, e não para o tratamento. Ele afirmou também que é preciso organizar as informações de saúde por meio de prontuários eletrônicos porque do outro lado há o beneficiário que “não aguenta mais pagar essa conta”. “Quando diminuir o número de usuários de planos de saúde, quem sabe, talvez, olharemos para isso”. E emendou: “Todo brasileiro tem um sonho, o de ter um plano de saúde, e viabilizar isso é um problema de todos nós, e se não enfrentarmos essa situação, teremos dificuldades em ofertar um serviço de qualidade”.

Para encerrar sua participação Kaveh Safavi, CEO da Accenture, deixou um recado: alguns têm de se preocupar com a saúde e outros com a doença também, não é possível jogarem todos na mesma posição, pois cada um desempenha um papel no sistema de saúde.

Já Oliver Harrison, vice-presidente da Healthways International, fez uma reflexão histórica. Segundo ele, depois da II Grande Guerra, a Organização Mundial de Saúde estabeleceu um consenso do que seria um sistema de saúde e ainda hoje, esses conceitos, que pregam o “cuidar da doença”, e não da saúde, permanecem depois de tantas décadas. “Os custos para cuidar das doenças estão cada vez mais elevados, mas ainda temos a oportunidade de usarmos a tecnologia”. Segundo Harrison houve um processo de geração de conhecimento e as novas tecnologias podem nos conduzir a uma “transformação potencial, só nos resta saber em qual ritmo”. “Em 2015, devemos encontrar formas de compartilhar dados sem quebrar a confiança das pessoas. Se fizermos isso agora, teremos grande evolução. Quem são os atores importantes para gerar essa mudança? Temos de reconhecer isso agora”, encerrou Harrison.

O último a ter a palavra, o CEO da Population Health Alliance, Frederic Goldstein foi sucinto e certeiro: “Estamos tomando uma decisão para melhorar o sistema de saúde? Se cada um fizer a sua parte, resolveremos o problema!”.