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Bem-Estar Holístico: potencializar as condições de saúde dos funcionários traz melhores resultados

19 de abril de 2016

Início do segundo painel do Fórum ASAP. Na grande tela lia-se: “Os benefícios do bem-estar holístico”, tema da palestra do diretor de Pesquisa e Bem-Estar da Gallup-Healthways, Dan Witters. Nos trinta minutos que se seguiram o palestrante internacional apresentou aos que lhe ouviam números coletados em pesquisas e dados para comprovar seu argumento: potencializar a condição de saúde dos funcionários empregando os cinco elementos de bem-estares inter-relacionados e interdependentes – denominados “holístico” ou “integrado” – trará melhores resultados para os negócios das organizações.

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A afirmativa de Dan Witters está baseada em pesquisas. Foram 2,3 milhões de entrevistas realizadas desde 2008 nos Estados Unidos pelo Índice Gallup- Healthways de Bem-Estar e The Gallup- Healthways global Bem-Estar Index. Cinquenta e cinco dados de bem-estar, além de informações demográficas foram coletados 350 dias por ano, ressaltou Witters. Desde que foi lançado, em 2003, o índice global de Bem-Estar somou 500 mil entrevistas em 145 países pesquisados em todo o mundo. Nestas pesquisas, dez elementos de bem-estar foram observados.

Witters apresentou dados, pesquisas e métricas que apontaram a influência do bem-estar holístico na redução do turnover, absenteísmo, nos acidentes de trabalho, no aumento da produtividade, na geração de novos negócios para as organizações, no melhor engajamento dos trabalhadores.

Bem-estar holístico

O conceito de bem-estar não se limita apenas à saúde física dos trabalhadores. Empregados em condição saudável são importantes para os negócios, que podem ser potencializados se as organizações aderirem ao conceito de bem-estar integrado.

Sentir-se motivado para alcançar os objetivos, gostar do que faz, ser incentivado a ser saudável (propósito), manter relacionamentos afetivos e de suporte à vida (social), equilibrar e administrar as finanças e ter dinheiro o suficiente para fazer o que quer  (financeiro), conexão com o local onde vive sentindo-se seguro e integrado à comunidade, além de ajudar a melhorá-la (comunidade) e ter boa saúde e energia para as atividades diárias (físico) compõem os cinco elementos de bem-estares, também conhecidos como “holístico” ou “integrado”.

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Witters apresentou o ranking global do Brasil entre 145 países, no qual foi medido o bem-estar a partir dos cinco elementos. A colocação foi: propósito (12ª posição), Social (14ª posição), financeiro (66ª posição), comunidade (35ª posição) e física (18ª posição). “Em todo o mundo, os que aderiram ao bem-estar integrado têm oito vezes mais probabilidade de avaliar suas vidas presentes e futuras do que os que não estão inseridos em programas de bem-estar, e pelo menos quatro vezes mais probabilidade de estarem envolvidos com seus empregos do que os demais funcionários. Além disso, estão pelo menos 50% mais propensos a atuarem com caridade e doações, ajudar outras pessoas e fazer de sua cidade um local melhor para se viver”. O diretor de Pesquisa e Bem-Estar da Gallup-Healthways explicou aos participantes que o bem-estar financeiro provoca nas pessoas a percepção da necessidade de guardar dinheiro para o futuro, menos probabilidade de ter problemas de saúde, enquanto que os que desfrutam do bem-estar “comunidade” tem 44% mais chances de fazer trabalhos comunitários do que os outros, são 60% mais propensos a fazerem doações e caridades. Ao comparar os efeitos do bem-estar físico, as pesquisas mostram que essas pessoas são 42% menos propensas a terem estresse, 50% mais chances de sentirem-se dispostas, faltam menos ao trabalho e são 1/3 mais propensas a aprenderem novas atividades.

BEM-ESTAR HOLÍSTICO VERSUS BEM-ESTAR ISOLADO

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O papel do gestor na conscientização do bem-estar

“Executivos e gestores são absolutamente decisivos para o bem-estar dos colaboradores. Líderes definem agendas, estabelecem as diretrizes de trabalho e conduzem as expectativas dos empregados sob seu comando. Portanto, as lideranças são essenciais como “agentes locais” propagadores da cultura de bem-estar. Programas de bem-estar nunca poderão decolar se os gestores e executivos não estimularem essa cultura. Isso é muito importante!”. Ainda segundo Witters, os gestores são responsáveis ​​por pelo menos 70% da variância nos escores de engajamento dos funcionários. “Empregados engajados são 28% mais propensos a participarem de um programa de bem-estar oferecido por sua organização”. Momento dos debatedoresDan Witters foi palestrante internacional do painel “O Que falta em seus Programas Corporativos de Gestão da Saúde: Abordagem Integrada com o Objetivo de Potencializar a Gestão”, que contou com moderação do conselheiro da ASAP, Paulo Hirai, e dos debatedores Alberto Coutinho (We Care) e Guilherme Hummel (eHealth Mentor). “Olhando para dentro das organizações queremos uma vida bem vivida. Dan Witters mostrou que um programa de bem-estar, se implementado de forma mais ampla, pode dar muito mais resultado”. Na avaliação de Guilherme Hummel, o conceito de bem-estar é subjetivo e para que o Brasil caminhe na direção da saúde, a educação desde os primeiros anos escolares seria primordial. “Ao receber informações desde a infância, teríamos gerações futuras com um pouco menos de subjetividade sobre alguns dos temas aqui colocados”.

“O sistema de saúde está falido”, afirmou Alberto Coutinho, referindo-se ao tempo que os cidadãos aguardam por atendimento, tratamento e cura no Brasil. “O Estado como gestor de saúde é o pior possível. Precisamos prover também uma reforma no sistema educacional. As crianças precisam aprender desde cedo noções de saúde”. Coutinho expôs números de uma pesquisa que conduziu por 14 anos e que analisou 120.952 questionários de perfil de saúde de 250.965 indivíduos de 670 organizações. Os resultados dessa longa pesquisa compõem o livro Perfil de Saúde. Coutinho pinçou alguns números e apresentou aos participantes do Fórum Internacional ASAP. Enfatizou que em 18 mil mulheres na faixa etária entre 30 a 39 anos fazem o exame preventivo frequentemente (56%), já fizeram (26%), na faixa de 40 a 49, com 16 mil mulheres, 61% fazem e 25% já fizeram. “Esses são dados estarrecedores, faltou Estado. O Estado foi omisso e não colocou na rua as diretrizes para que a população pudesse alcançar”. Ao compartilhar outro dado da pesquisa, Alberto Coutinho contou que das 14 mil pessoas que fumavam, 61% disseram querer parar de fumar. “E nenhuma empresa se propôs a fazer um programa antitabagismo”.