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Gestão de Saúde Populacional deve ser estratégia e responsabilidade dos CEOs

25 de setembro de 2017

Presidente da ePharma, Luiz Monteiro, alerta para empresas que não enxergam a saúde dos colaboradores como estratégica: planos de saúde correspondem apenas a ¼ das despesas, o absenteísmo e presenteísmo consomem mais ¾ dos recursos.

Luiz Monteiro, executivo com mais de quarenta anos em atuação no setor de saúde, Presidente da ePharma, considera a pouca atenção e o distanciamento que os CEOs mantêm da gestão de saúde de suas organizações, um erro estratégico. “A saúde garante o diferencial competitivo das empresas e é portanto, estratégica. E não se terceiriza a estratégia”. Estudos mostram que, no modelo predominante na maioria das Empresas no Brasil, o “Board” executivo, delega ao Diretor de RH a política em Saúde, que por sua vez delega ao Gerente de Benefícios , que não raro delega ao setor de suprimentos a escolha do fornecedor de saúde. É imperiosa a mudança desse modelo.

Fundada em 1999 por profissionais e empresas da área de saúde, a ePharma é uma empresa concebida a partir do conceito americano de PBM (Pharmacy Benefit Management). Atua como integradora entre a indústria farmacêutica, a rede credenciada de farmácias e os serviços de saúde, atendendo a diversas corporações em todo o território nacional. Mantém também programas de Gestão de Saúde e Estratificação de Risco individual em carteiras corporativas.

Em entrevista à ASAP, o executivo da ePharma realçou a importância da assunção pelas empresas do setor privado de um papel de ator dos mais importantes. Os valores que as organizações transferem às Operadoras de Saúde todos os anos superam R$ 160 bilhões e caracteriza o setor como um dos principais financiadores da saúde em nosso País. “Esse montante de recursos investido pelo setor privado poderia ser muito melhor aproveitado”, diz Monteiro. Na sua avaliação, existe uma tendência dos presidentes das empresas e demais executivos que ocupam cargos de decisão, a minimizarem a compreensão da saúde apenas ao custo com plano de saúde. Estudos mostram que os CEOs não enxergam que esse “custo” com plano de saúde, continua Monteiro, corresponde a apenas ¼ de uma despesa muito maior que envolve outros ¾ divididos entre o absenteísmo e o presenteísmo, “o mal da modernidade, que no Brasil não tem recebido a devida atenção”. Se o trabalhador não está produzindo, explica o presidente da ePharma, é porque tem algum agravo de saúde, físico ou mental, tais como depressão ou ansiedade, que são males de nossa época . “No mundo moderno e competitivo atual, algumas das empresas mais valiosas do mercado, como Apple e Google, consideram a saúde como um valor estratégico e investem fortemente nisso”.

Questionado sobre quais entraves impedem as organizações de obterem melhores resultados em Gestão de Saúde Populacional, Monteiro afirma que, a considerar os investimentos que as empresas já fazem em saúde, o chamado que se faz, é que o board executivo das corporações , passe a olhar a saúde como investimento e não como custo.

As corporações são as financiadoras da saúde privada no país. O presidente da ePharma concorda que caberia às empresas a liderança por um “movimento” pela reversão do modelo centrado na doença para o cuidado com a saúde. “Se conseguíssemos sensibilizar o empresariado e eles nos questionarem sobre como fazer, eu responderia que o primeiro passo seria a implantação de um modelo de Gestão de Saúde Populacional, que passa primeiramente pelo mapeamento da população, levantamento do perfil de risco e necessidades particulares com relação à saúde” e construção de um modelo que incorpore suas necessidades específicas, cotejadas à cultura e peculiaridades de cada corporação.

Os colaboradores saudáveis devem ser estimulados a se manterem dessa forma, explica Monteiro. Para os fumantes, obesos, sedentários e doentes crônicos é preciso construir políticas de saúde direcionadas de formas diferentes: primeiro a promoção ao autocuidado, e isso tem que alcançar a todos. É sabido que 20% dos usuários geralmente consomem 80% dos recursos, o que torna necessário identificar essas pessoas e tentar conscientizá-las para o cuidado com a saúde. “A empresa tem grande capacidade de conscientizar seus trabalhadores para que cuidem de seu bem maior, a saúde, aproveitando os recursos oferecidos pelas organizações”.

Segundo o presidente da ePharma, as empresas também são capazes de fazer programas de promoção e prevenção. “Isso é bem visto, o colaborador começa a entender e a levar para a casa o que aprendeu em termos de cuidados com a saúde”.

A ASAP, avalia Monteiro, vem trabalhando fortemente na construção do conceito de GSP e tem conseguido parcerias importantes para permear esses conceitos nas corporações e sensibiliza-las. “É preciso estar dentro das companhias, ajudá-las a implantar essa ação estratégica. Quando o financiador assumir o papel que lhe é devido, acredito que o modelo começara a ser mudado”.