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Medicina Preventiva

19 de abril de 2018

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Quando custos se tornam investimento

Evitar o surgimento de doenças e criar mecanismos de diagnóstico e tratamento para enfermidades em estágio inicial são dois dos focos de atuação da medicina preventiva, que encontra na lógica do “prevenir é melhor que remediar” sua maior contribuição para a gestão da saúde populacional

Segundo dados divulgados pela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), cerca de 40% da população adulta brasileira tem pelo menos uma doença crônica não transmissível (DCNT).

O levantamento, realizado pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta ainda que as DCNT são responsáveis por mais de 72% das causas de mortes no Brasil. A hipertensão arterial, o diabetes, a doença crônica de coluna, o colesterol (principal fator de risco para as cardiovasculares) e a depressão são as que apresentam maior prevalência no país.

O cenário não é exclusivo do Brasil. De acordo com o British Medical Journal, 37 milhões de mortes prematuras, no mundo inteiro, poderiam ser evitadas até 2025, caso fossem tomadas medidas de promoção de saúde – como cuidados com a alimentação, práticas de atividades físicas e companhas de incentivo ao fim do tabagismo.

Essa abordagem, conforme mostra a Organização Mundial de Saúde (OMS) representa não apenas a redução de fatores de risco como também de custos. O órgão internacional dá conta de que para cada dólar investido na prevenção, 4 dólares seriam economizados em serviços de saúde.

São esses os valores trabalhados pela medicina preventiva, que se dedica à prevenção de doenças por meio de ações que se antecipam aos quadros clínicos, acompanhando e tratando os sintomas, impedindo que as enfermidades se instalem.

No hall de ações dessa área da medicina incluem-se desde programas de vacinação e realização de exames periódicos até projetos de incentivo à prática de atividades físicas, monitoramento de hábitos alimentares e controle de peso, passando também por atividades voltadas ao bem-estar psicológico e emocional – que agem na prevenção de males cada vez mais comuns no mundo moderno, como transtornos de ansiedade e quadros de depressão.

A atuação dos profissionais da medicina preventiva se divide em quatro frentes:

  • Prevenção primária – busca evitar o surgimento da doença
  • Prevenção secundária – inclui mecanismos de diagnóstico e tratamento para doenças em estágio inicial
  • Prevenção terciária – atua para diminuir o impacto negativo provocado pela enfermidade
  • Prevenção quaternária – utiliza métodos que evitam ou minimizam os efeitos colaterais de intervenções médicas

Medicina preventiva nas empresas

Na visão da medicina preventiva, a saúde e a qualidade de vida são, em boa parte, consequência de hábitos saudáveis e do autocuidado. Não coincidentemente, são esses os fatores que possibilitam ao indivíduo desempenhar plenamente as tarefas que lhe são importantes. E isso inclui a produtividade no trabalho.

É nesse momento que a medicina preventiva fala diretamente às empresas. Promover a saúde e o bem-estar dos colaboradores, desenvolvendo soluções integradas em medicina preventiva, diagnóstica e terapêutica, levam a um ambiente de satisfação e tranquilidade – que, por sua vez, deixam o caminho livre para a criatividade, a produtividade e o comprometimento com a atuação profissional.

Olhar a medicina preventiva com a mesma importância dispensada à medicina curativa é transformar custos em investimento. E essa mudança de paradigma começa na realização de um levantamento do perfil epidemiológico da população atendida, que permite reunir informações sobre a situação de saúde dos colaboradores – passo de suma importância para a melhor tomada de decisões acerca das estratégias em gestão da saúde.

A análise dos dados coletados permite ao gestor compreender melhor as reais necessidades da empresa, o que leva a um planejamento estratégico mais assertivo. Uma vez conhecido o público e decidias as medidas, as ações e programas ganham em eficácia e precisão, aumentando as chances de resultados positivos.

O valor da comunicação

Um dos maiores desafios enfrentados por gestores de saúde dentro das empresas é conquistar o engajamento da população atendida nas medidas implantadas. E quando se fala em medicina preventiva, a boa receptividade torna-se imprescindível – uma vez que a principal matéria sobre a mesa são os hábitos pessoais.

Mas o ambiente corporativo pode ser fértil para essa semente, com os trabalhos de medicina preventiva focados, por exemplo, em males caracteristicamente associados ao trabalho: como a lesão por esforço repetitivo (LER), dores nas costas, pescoço e pernas, problemas de visão, estresse e ansiedade.
O segredo está numa comunicação eficiente, que abra um canal de diálogo, entre funcionários e empresa, pautado pela transparência das intenções, pela credibilidade das medidas e, consequentemente, pelo incentivo à adesão.

Além de recursos gráficos – como cartazes, informes e guias de autocuidado –, atividades de caráter educacional entram nas estratégias como ações de fôlego estendido: beneficiando o publico diretamente envolvido, mas também atingindo outras esferas: familiares, amigos e comunidade.

Ações nesse sentido podem incluir palestras, cursos e oficinas que explorem o tema promoção da saúde e que abordem tanto aspectos específicos – aqueles ligados à saúde e ao trabalho – como também os de interesse geral: combate ao tabagismo e sedentarismo e controle da obesidade, entre eles.

Por fim, gerenciar a frequência média dos participantes e aplicar questionários e avaliações podem
ainda gerar indicadores que auxiliem no constante aprimoramento das ações.