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Pela prevenção e promoção da saúde em todas as fases da vida
Entrevista Claudio Tafla – Diretor Médico do Grupo BEM

1 de dezembro de 2017

Quais as principais dificuldades para as empresas obterem resultados em Gestão de Saúde Populacional?

Existem dificuldades para que este conceito seja implementado na prática e elas residem na forma como a população interage com a sua saúde e com os atores do mercado, pois não existe proatividade dos usuários do sistema para que sejam ativos na prevenção e na promoção de sua saúde. Há, ainda, o agravante de sermos consumidores de ofertas por doenças (hospitais, laboratórios e consultas) devido à nossa mentalidade hospitalocêntrica. Além disso, o processo de remuneração de todos os atores deste cenário está pautado em pagamentos por serviços pontuais e individuais, e não pela meritocracia na busca, manutenção ou melhoria da saúde em busca por desfechos mais amplos. Existe, finalmente, a dificuldade em se trabalhar dados, informações e conhecimentos, para que possamos atuar de forma mais eficiente, proativa e sustentável.

Como as empresas, financiadoras da saúde suplementar no país, poderiam apoiar na mudança do modelo atual, centrado na doença, para um modelo focado no cuidado com a saúde?

As corporações são financiadoras e pagadoras de 80% do sistema de saúde suplementar. Por questões prioritariamente de ordem financeira elas já iniciaram um reestudo dos benefícios oferecidos no sentido de equilibrar e tornar sustentável esta oferta, pois além de ser o segundo maior custo interno, o valor dos gastos com saúde tem crescido ano a ano. Elas têm buscado parceiros mais eficientes e compromissados com o resultado de suas ações dentro do orçamento proposto e até terceirizado ações de gestão de saúde. Este trabalho poderia ser ainda mais otimizado se fossem utilizadas de forma mais eficiente as informações internas disponíveis sobre a saúde dos colaboradores e realizados investimentos em prevenção e promoção que sejam cientificamente comprovados e que possam gerar retorno. A população de colaboradores permanece, na maioria das vezes, mais tempo dentro da empresa do que dentro do plano contratado, e isto abre uma porta para que as empresas pensem fora de limitações da lei tanto na oferta de produtos quanto no seu formato de co-pagamento junto ao colaborador. Veremos isso acontecer mais a partir de agora, com certeza.

Como implementar estratégias para conseguir a adesão dos colaboradores para o cuidado com a saúde, tendo como proposta a Gestão da Saúde Populacional?  
 
As corporações devem ajudar no desenho de prioridades a serem definidas, além de organizar tarefas e papéis de cada um dos atores, evitando retrabalhos e redundâncias que afetam a eficiência e promovem desperdício na gestão da saúde. A exata e acordada definição de papéis, dentro de todo o escopo de atuação, poderá fazer com que o foco de interesse passe a ser a prevenção e a promoção da saúde em todas as fases da vida dos beneficiários, comunicando de forma mais clara e transparente os benefícios de se ter atenção neste sentido. Premiações podem ser pensadas, pelas empresas contratantes, para dar clareza a este direcionamento e foco, o que aumentaria a adesão e engajamento de todos em uma nova perspectiva de saúde.