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Práticas de Gestão de Saúde Corporativa: ABRH Brasil e ASAP firmam parceria em busca de um novo modelo de gestão de saúde

11 de julho de 2017

A Aliança para a Saúde Populacional – ASAP e a Associação Brasileira de Recursos Humanos – ABRH Brasil, se uniram para reforçar a necessidade de implantação de um modelo de gestão de saúde mais sustentável. A parceria foi firmada em evento realizado no dia 3 de julho, no hotel Renaissance, em São Paulo, e representa um passo importante para as duas instituições. A ABRH Brasil é uma das maiores organizações civis do Brasil, com 50 anos de atuação, cerca de 10 mil associados e grande representatividade junto à comunidade de Recursos Humanos no país. Para a Presidente, Elaine Saad, o objetivo dessa união é desenvolver estratégias, ações, pesquisas e mobilizar a comunidade para a discussão da gestão da saúde corporativa.

As duas instituições abordam um tema de total relevância para as organizações e para o sistema de saúde suplementar como um todo, uma vez que o custo saúde é o segundo maior dentro da área de RH, depois da folha de pagamento. Elaine Saad afirma que a ABRH Brasil escolheu a saúde como tema de trabalho por duas razões: “Primeiro porque as empresas são feitas de pessoas e as pessoas precisam estar saudáveis e, segundo, porque a saúde se converteu em um grande custo para a área de RH das empresas. As pessoas não estão saudáveis, essa é a verdade, nem mental nem fisicamente. Estamos muito preocupados em ajudar as empresas a trabalhar a prevenção de doenças porque só assim vamos conseguir resultados”, diz Saad.

Elaine ressaltou que a partir dessa parceria há várias ações previstas: são os grupos de estudo (para proporem ideias e soluções que ajudem as corporações), a pesquisa desenvolvida, os eventos e o apoio às universidades na formação de executivos e a inclusão de programas para gestão da saúde corporativa.

Segundo a Presidente do Conselho Diretor da ASAP e CEO do Grupo Santa Celina, Dra. Ana Elisa Siqueira, há grande sinergia entre a ASAP e a ABRH Brasil, o que favorece a disseminação do novo modelo de gestão de saúde. “Multiplicar esse conceito é extremamente importante porque o mercado corporativo é o grande financiador da saúde suplementar. Se não conseguirmos envolver as lideranças, todos os players que podem multiplicar essa ideia, não conseguiremos mudar o atual modelo de gestão de saúde do país”, pontua.

Há alguns anos, a ASAP vem pleiteando novas parcerias com a intenção de propagar o novo conceito e transformar a gestão da saúde populacional existente nas organizações. Para Ana Elisa, é por meio de modelos que consigam apresentar resultados baseados em indicadores e com a troca de conhecimento que se pode chegar às corporações, para que elas possam cobrar de seus fornecedores de serviços de saúde um modelo mais sustentável. Em sua opinião, não adianta trabalhar conceitos e melhores práticas e não atingir quem financia o sistema.

 

Luiz EdmundoLuiz Edmundo apresenta pesquisa com mais de 600 respondentes

O primeiro fruto da parceria foi apresentado por Luiz Edmundo Rosa, Diretor de Gestão de Pessoas e responsável pelo Núcleo da Saúde Corporativa da ABRH Brasil: uma pesquisa desenvolvida sobre “Práticas de Gestão de Saúde Corporativa”, para conhecer o que está sendo feito nas empresas brasileiras. A pesquisa foi feita online e esteve disponível, no site da ASAP, durante o mês de junho. O número de respondentes surpreendeu: mais de seiscentas organizações de pequeno, médio e grande porte, espalhadas pelo país, dentre as quais o Grupo Pão de Açúcar-GPA, o Itaú, a Mercedes Benz, a Edenred, a Vestas Brasil e Petrobras, representadas por seus diretores de Recursos Humanos e demais gestores envolvidos em programas de cuidados com a saúde de seus colaboradores.

Esta pesquisa não focou toda a cadeia de saúde, mas sim o que acontece dentro das empresas, seu perfil, e trouxe um retrato de como é feita a gestão da saúde das populações corporativas. “Para quem está dirigindo Recursos Humanos, para quem é presidente de uma organização ou membro de um conselho, o desejo é olhar para dentro, onde é mais fácil atuar e melhorar”, justifica Luiz Edmundo.

Dados apontam que a maioria das organizações oferece plano de saúde ao colaborador, mas para uma pequena parcela delas a gestão da saúde é prioridade para a direção.  Muitos disseram que sua empresa tem estratégias e programas voltados para a melhoria da saúde dos colaboradores, mas a pesquisa constatou resultados pouco efetivos.

O Grupo Pão de Açúcar, por exemplo, está lançando o programa “Escolha Certa”, centrado em três ações: a Conscientização (com conteúdos importantes para os colaboradores), a Prevenção (que prioriza os grupos de risco, gestantes e problemas crônicos)  e a Gestão (com a utilização de uma plataforma de sinistros técnicos, para entender quais são as reais necessidades e a partir do diagnóstico estruturar programas de médio e longo prazo).

A Mercedes Benz tem um programa de prevenção implantado há oito anos, o “MB Saúde”. Segundo o Gerente de Assistência de Saúde & Social da empresa, Roberto Bertoni, sua importância se traduz nos bons resultados obtidos, como boa aceitação e melhora da qualidade de vida dos colaboradores, além da redução dos gastos com a assistência médica e diminuição do absenteísmo.
A pesquisa reforça a ideia de que há empresas que fazem muito, outras que fazem pouco e há aquelas que assistem à multiplicação dos gastos e não fazem nada para mudar essa realidade, pois a condução do segundo maior custo para a área de RH está nas mãos de Analistas e Coordenadores, que não têm grande poder de decisão e transformação.

De acordo com a Presidente da ASAP, um dos fatores que contribui para o aumento dos custos da saúde é a fragmentação das soluções. “Não adianta ter um programa de promoção de saúde que visa a perda de peso, por exemplo, e não conectá-lo a mais nada. Isso acaba atingindo um percentual pequeno da população, enquanto há outro que consome os serviços de saúde de forma desordenada”, esclarece Ana Elisa. Ela opina que se as empresas não pensarem uma estratégia integral, com ações sinérgicas, elas continuarão isoladas, sem gerar impacto assistencial satisfatório e não reduzirão seus custos.

Dra. Ana Elisa afirma, ainda, que não houve surpresa no resultado da pesquisa, que retratou a prática do mercado, ou seja, poucas empresas trabalham a gestão de saúde sob um ponto de vista estratégico e o assunto ainda é delegado a setores com menor poder de decisão, o que faz com que as práticas não sejam implantadas.  “No final existe ainda a falta de conhecimento, ou maturidade, do setor corporativo para lidar com a gestão da saúde, que é uma questão tão importante”, destaca. Luiz Edmundo entende que ninguém tem a “Bala de Prata”, e a saúde corporativa participa de um sistema e se não for trabalhada na sua totalidade, por melhores que sejam as ações isoladas, elas não trarão resultados.

 

Painel 1Painel de líderes de RH

Após a apresentação da pesquisa  houve o debate, sob a mediação de Luiz Edmundo Rosa, com a participação do Vice-Presidente de RH do Grupo Pão de Açúcar,  Antonio Salvador,  que abordou o alto custo da saúde, a judicialização e as ações desenvolvidas pelo GPA; o Diretor de RH da Edenred, José Ricardo Amaro, discorreu sobre as preocupações e obstáculos enfrentados, mas apontou que a empresa tem uma gestão de saúde mais ativa, com profissionais dedicados;  já o Líder de Pessoas e Cultura da Vestas Brasil, João Guilherme Alves, comparou a gestão da saúde à conta de água de um condomínio, quando o desperdício de uma unidade impacta no orçamento das demais. Ele ressaltou que a construção da governança da saúde é um desafio e se não houver a educação do sistema todos pagarão a conta.

Ter acesso a informações relevantes, que norteiam o planejamento das ações, é o desejo de qualquer empresa que queira conquistar o mercado, obter resultados e, melhor, a custos baixos. A ASAP vem trabalhando para disseminar conhecimento, boas práticas de gestão e seu maior desafio é subir os degraus das organizações, levar esse conhecimento à alta direção e fazer com que a saúde seja discutida de maneira mais sistêmica. A instituição já desenvolve ações voltadas à troca de experiências onde apresenta às empresas ferramentas importantes para a implementação de novos modelos e acredita que a união de todos os players de saúde é que trará grandes resultados.