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Saúde como estratégia

29 de agosto de 2018

Workshop organizado pela ASAP dentro do Conarh instigou discussões importantes sobre a saúde corporativa

Unir forças para alcançar um objetivo em geral traz bons resultados. É isso que vem acontecendo com a parceria técnico-científica entre a ASAP com a ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos). O mais recente fruto desta união foi a realização do Fórum de Saúde Corporativa durante o 44º. Congresso Nacional de Recursos Humanos (CONARH) que aconteceu entre os dias 14 e 16 de agosto em São Paulo. Durante o Fórum, a ASAP organizou o workshop intitulado “Saúde como Estratégia” e, durante um dia todo, reuniu palestrantes e debatedores das duas entidades e de diversas empresas brasileiras para falar sobre o tema. “É muito importante estarmos aqui e abrir este espaço de discussão neste que é o principal evento do ano voltado aos Rhs de empresas”, disse Ana Elisa Siqueira, Presidente do Conselho Diretor da ASAP, que abriu o evento ao lado de Elaine Saad, Presidente da ABRH Brasil, entidade responsável pela realização do Congresso.

O workshop contou com quatro painéis. O objetivo foi aproximar as lideranças das empresas e gestores de saúde corporativos das análises atuais do setor, tendências e modelos para uma gestão eficaz e com foco em resultados. O primeiro painel, intitulado “Aspectos Impactantes da Saúde Corporativa”, teve a participação de Alexandre Toscano, Gerente Médico da Pirelli e Marco Milazzo, Diretor de Reconhecimento e Recompensa da Natura. O mediador foi Paulo Hirai, Diretor Financeiro da ASAP. Tanto Toscano quanto Milazzo concordaram que é preciso investir sempre no bem-estar dos funcionários das empresas, mas que os resultados acontecem a longo prazo. “A grande dificuldade para a área de saúde é comprovar que nossos resultados acontecem, mas não podemos pensar em curtíssimo prazo. Isso é uma das dores de cabeça para o RH”, disse Toscano.

Tanto a Pirelli quanto a Natura vêm investindo em ambulatórios e buscam o engajamento dos funcionários e também dos fornecedores para melhorar a gestão de saúde. “É importante uma boa atenção primária para evitar, por exemplo, tantas idas ao Pronto Socorro. Estamos em busca de parcerias para termos engajamento nos ambulatórios.” disse Marco Milazzo, da Natura.

Em busca do bem-estar

O segundo painel teve como objetivo discutir os aspectos culturais de saúde que influenciam a produtividade e motivação dos colaboradores. Intitulado “Estratégia e Cultura”, contou com Fernando Viriato, SVP Talent & Culture da Accor e Bruno Ganem Siqueira, Diretor de Relacionamento com o Mercado do Grupo Sabin. O moderador foi João Guilherme, da ABRH. A exemplo do que disseram os palestrantes do primeiro painel, tanto Viriato quanto Ganem afirmaram que um dos grandes desafios do RH tem sido equilibrar o bem-estar dos funcionários com a saúde financeira das empresas. “Em tempos de crise, a gestão tem de focar no custo e não necessariamente nos resultados”, disse Viriato. “Investimos na cultura do bem-estar, em que a pessoa se torna protagonista da própria saúde. Com isso, há mais efetividade”, completou.

Por ser um laboratório, o Sabin também influencia diretamente na saúde dos funcionários e da família deles. “Buscamos atender os colaboradores como um todo, inclusive na saúde mental. Assim, há uma sensação de pertencimento e há maior aderência às atividades propostas”, disse Bruno Ganem. Ambos acreditam, entretanto, que as empresas deveriam influenciar também na agenda de entidades e do governo.

O terceiro painel, “Inovações em Saúde Corporativa”, teve como foco discutir os novos modelos da saúde que estão sendo implantados nas empresas, visando modelos disruptivos. Os convidados foram Fred Lopes, Diretor de RH do Grupo Pão de Açúcar e José Ricardo Amaro, Diretor de RH da Edenred. O moderador foi Fábio Abreu, da ASAP. Logo de início, Abreu provocou: “Qual inovação está faltando para que o plano de saúde trabalhe em parceria com os Rhs das empresas? Fred Lopes afirmou que hoje o GPA trabalha com cinco fornecedores porque a realidade do varejo é bem complexa. Entretanto, a discussão de não se ter um plano de saúde já está na mesa. “Hoje, a responsabilidade pela saúde de um funcionário é da empresa. E é preciso mudar esta mentalidade. Primeiro, que saúde não é ausência de doença e sim ter uma vida com qualidade. O colaborador deve ser protagonista da própria saúde”, afirmou.

No GPA, assim como na Edenred, há programas que investem no bem-estar do funcionário, com assistência médica, nutricional, psicológica e até financeira. Sem falar no investimento em tecnologia. “Hoje, acho que uma das grandes inovações é ter um time para fazer gestão de saúde dentro do RH. As empresas precisam se profissionalizar nesta área”, disse José Amaro.

Sem desperdício

Sob o tema “Inteligência na Gestão”, o quarto painel contou com a presença de Alberto Mendes, Diretor de RH da Clariant, Eduardo Marques, Diretor de Pessoas e Sustentabilidade do Grupo Fleury e Raquel Giglio, Diretora Técnica e de Relacionamentos com Clientes da Sul América Seguros. O mediador foi Ricardo Ramos, da ASAP. A exemplo do que ocorreu nos outros painéis, o debate se voltou para a importância de estimular o bem-estar para os colaboradores. “A empresa tem que assumir a organização da Gestão de Saúde dos seus colaboradores. É preciso evitar o desperdício e perceber que saúde é não pode ser fragmentada”, disse Eduardo Marques.

Todos concordaram que é preciso melhorar a comunicação e cooperação entre todos os players da cadeia de saúde. A qualidade deste trabalho em conjunto pode trazer melhores resultados para todos: beneficiários, empresas, planos de saúde e prestadores de serviços. “Temos que chamar os players do sistema de saúde, caso contrário o sistema vai ruir”, disse Alberto Mendes.
Raquel Giglio lembrou que a Sul América é uma operadora que atinge vários mercados, mas a saúde responde por 80% do total. Para ela, é importante investir na “saúde ativa” para que o plano não seja lembrado só quando está doente. “A empresa tem investido muito em tecnologia – há o app do plano com várias funções que ajuda bem o usuário, por exemplo”, contou ela.