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Sustentabilidade do sistema de saúde: “Temos que nos reinventar. E com urgência”

7 de maio de 2018

Comitê técnico da ASAP durante o evento de lançamento do Guia de Dados e Indicadores

No evento de lançamento do Guia de Dados e Indicadores para Gestão de Saúde, produzido pela ASAP, players da saúde debateram sobre os possíveis caminhos para uma cadeia mais sadia e viável para usuários, empresas e operadoras

Uma plateia atenta e disposta a conhecer novidades na área da saúde lotou o auditório do Sul América Seguros, em São Paulo, na quarta, 25 de abril – data do lançamento do Guia de Dados e Indicadores para Gestão de Saúde. Editada pela ASAP – Aliança para a Saúde Populacional, a publicação tem como objetivo ajudar na implantação de programas de saúde mais estruturados nas empresas.

Ricardo Ramos, diretor técnico da ASAP e vice-presidente da Funcional Health Analytics abriu o evento e afirmou que o sistema de saúde tem grandes desafios pela frente, tais como o envelhecimento da população, custos elevados na área, falta de gestão de risco, assimetria de informações do setor, entre outros. “Estamos no meio de uma mudança. É preciso apostar nos dados e usá-los. Não há como administrar um negócio se não soubermos os riscos e não nos anteciparmos a eles. Temos que nos reinventar”, afirmou Ricardo Ramos.

Dados e indicadores

A palestrante seguinte foi Elisabeth Gutierrez, membro do comitê técnico da ASAP e gerente de serviços médicos da Sul América . Ela explicou as funcionalidades do Guia e como foi desenhado. “O comitê técnico da ASAP, que elaborou a publicação, é formado por profissionais de diversas formações, desde médicos, enfermeiras até economistas. Todos trabalharam focados na gestão de saúde corporativa de uma maneira imparcial e com foco nos resultados”, afirmou Elisabeth.

Segundo ela, a geração de dados e indicadores é fundamental para a gestão de saúde das empresas. “Existem muitas informações que podem ser usadas para administrar os riscos da sua carteira. A pergunta é: como isso está sendo aproveitado na sua corporação?”, questionou.

O exemplo da Accor

Peri Gondim, gerente de talento e cultura e projetos da Accor Hotels, foi o terceiro palestrante e apresentou um panorama de como a empresa lida com as questões de saúde em seu quadro de funcionários. A rede tem 180 hotéis em 24 estados do Brasil, espalhados por 113 cidades. De acordo com Gondim, a segunda maior despesa da empresa no País é em saúde. “O valor investido em benefícios compromete até 15% da folha de pagamento”, afirmou.

Por se tratar de um país continental e reunir investidores de diferentes regiões, a rede tem um grande desafio pela frente quando se trata de implementar uma gestão unificada de programas de saúde. A geração e interpretação de dados é fundamental nesse processo – e essa é uma responsabilidade de todos os atores da cadeia. “Por um lado, as operadoras precisam ter mais agilidade para nos enviar os dados da nossa carteira. Por outro, as empresas também precisam estar preparadas para receber esses dados e agir a partir deles”, disse Peri Gondim.

Sustentabilidade da rede

A segunda parte do evento foi aberta para debate. O mediador José Ricardo Amaro, diretor de RH da Edenred Brasil, começou apontando algumas iniciativas fundamentais para que o Programa de Gestão de Saúde das empresas não frustrem expectativas. “Os gestores dessa área precisam conhecer a fundo a realidade interna do seu ambiente corporativo. Além disso, a aproximação com atores externos, como a ANS, também é importante para saber mais sobre a regulação do mercado – e agir para readequá-lo se for necessário”. Outras iniciativas recomendadas pelos palestrantes: questionar o modelo tradicional dos planos de saúde; engajar o RH e os colaboradores na utilização responsável do plano; cobrar dados das operadoras e estar organizado internamente para poder dispor deles em prol da sustentabilidade da cadeia.

Todos concordam que as empresas e as operadoras de planos de saúde precisam fazer a sua lição de casa. Ou seja, evoluir nos fóruns de discussão, estabelecer uma relação de confiança com todos os players e ter o apoio das lideranças. “Acho que este é o momento. Esta aproximação dos atores com a ABRH e da ASAP é a forma de intensificar essas discussões. Juntos vamos encontrar o caminho”, afirmou Peri Gondim.