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Tecnologia a serviço da saúde

3 de abril de 2018

Os recursos tecnológicos – do uso da internet móvel à coleta, análise e qualificação de dados – podem ajudar a diminuir custos e conferir maior sustentabilidade aos processos do setor, tendo como objetivo a melhoria da qualidade de vida dos usuários. Mas é preciso estar atento para que as ferramentas não se confundam com suas finalidades

São muitas as transformações do mundo contemporâneo que têm mostrado impacto na área da saúde. Dos avanços da medicina à difusão de conceitos inovadores – como o de Gestão de Saúde Populacional (GSP) –, passando pelo aumento da expectativa de vida e pela enxurrada de recursos tecnológicos aos quais somos, direta ou indiretamente, expostos.

No que toca à corrida tecnologia, cada vez mais se tem falado em seu uso como ferramenta para otimizar e acelerar processos, economizar tempo e mesmo transformar relações (entre pessoas e delas com os diferentes serviços), em qualquer área.

O setor da saúde não foge a essa regra. E isso é uma boa notícia. Adventos como a Inteligência Artificial, a Internet das Coisas e o aprendizado automático (mais conhecido pelo termo em inglês machine learning) são algumas das pontas de iceberg que guardam verdadeiras revoluções ainda por vir em diversas áreas do conhecimento. O mesmo vale para conceitos como o da modelagem preditiva, metodologia que se utiliza da análise de estatísticas e de modelos matemáticos para prever resultados futuros.

Mas como tudo isso se encaixa na melhoria da qualidade dos serviços de saúde? Para o Diretor Operacional da Hospitalar ATS Herverton Moraes, membro do comitê técnico da Aliança para a Saúde Populacional (ASAP), a tecnologia – em suas múltiplas formas e usos – pode minimizar impactos negativos no setor, reduzir custos e, como meta final, melhorar a qualidade de vida do usuário.

Para isso, no entanto, é preciso conhecer a fundo as potencialidades de cada recurso, a fim de que seja possível ajustá-los aos objetivos almejados. “Às vezes, nos deparamos com dificuldades por parte das pessoas para elas aderirem a essas plataformas e interagirem com elas”, pondera. “É preciso apresentar essas plataformas como, entre outras funções, facilitadoras desse processo de adesão das pessoas aos programas de saúde”.

Do celular à Inteligência Artificial

Mesmo o dispositivo mais simples, como um smartphone, pode se transformar em uma poderosa ferramenta de comunicação e estreitamento dos laços entre usuários do sistema, prestadores de serviços e, claro, as empresas – que desempenham papel fundamental nessa cadeia no momento em que aparecem como um dos principais agentes a custear os processos.

“O smartphone é um canal muito importante hoje e principalmente no Brasil”, explica a Diretora de Produtos e Soluções Digitais da Sharecare Ana Claudia Pinto. “Eu acredito que através dele, e de todo o conteúdo que ele pode reunir, é possível democratizar a informação, atingir um número muito grande de pessoas, que podem receber informações que vão ajudar na tomada de decisões para a melhoria de sua saúde – e mesmo para aquelas que não têm um recurso específico, como um plano de saúde”.

A chamada Internet das Coisas, que pressupõe tornar conectáveis objetos físicos que antes não associávamos à tecnologia digital (como eletroeletrônicos e veículos, entre outros) também pode ser explorada pelo setor – sobretudo, na medida em que os vemos deixar o status de “interessantes” para assumir a condição de imprescindíveis em nossas vidas.

Mas, para o CEO da Carenet Immo Oliver Paul, é preciso sempre ter em mente que tais ferramentas não necessariamente substituem suas finalidades. E nessa balança, valores como a personalização dos atendimentos e cuidados em saúde ainda deve ser maior do que os prodígios prometidos por equipamentos e dispositivos. “Hoje a percepção é que a tecnologia resolve todos os problemas de saúde, mas a realidade é que é preciso procurar uma jornada completa para o paciente e depois escolher as tecnologias que ajudam a resolver certos pontos dessa jornada”, recomenda Paul.

Em outras palavras, é a partir de uma estratificação cuidadosa da população atendida que se torna possível descobrir quais lacunas podem ser preenchidas pela tecnologia e quais carecem de outros serviços. Caso contrário, o risco é o de estacionarmos no estágio do compartilhamento de dados sem partir para etapas talvez até mais importantes – como o direcionamento e a qualificação dos dados.
“Eu não acredito que exista uma tecnologia para tudo”, retoma o CEO da Carenet. “Temos que trabalhar com diferentes elementos, juntando as peças. Quando uma peça não estiver mais funcionando, é preciso substituir por outra. E o mais importante: precisamos criar mais parcerias na área da saúde. Esse é um setor em que uma empresa sozinha não consegue ser disruptiva”.

Quando se fala em qualificação das informações – seja para uso em qualquer plataforma ou ambiente tecnológico –, o segredo está no valor agregado. E o caminho para esse destino, segundo especialistas, é o da customização. “O que eu acredito é você tem que estar presente na hora que a pessoa precisa de você”, finaliza Ana Claudia. “Entregar valor é estar presente na hora e do jeito que alguém precisa. E nisso, a tecnologia, a modelagem preditiva e a Inteligência Artificial são fundamentais”.