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Vêm aí novos modelos!

4 de junho de 2018
Ana Elisa Siqueira, Presidente da ASAP - Carla Gullo

Ana Elisa Siqueira, Presidente da ASAP


Workshop organizado pela ASAP durante a Hospitalar 2018 mostrou que há novidades na forma de pensar a remuneração e assistência

Pelo segundo ano consecutivo, a ASAP participou da Hospitalar, evento líder da saúde na América do Sul. O encontro aconteceu no final de maio, em São Paulo e coube à Aliança organizar o workshop “Modelos de Remuneração Baseados em Novos Modelos Assistenciais”. Ana Elisa Correa de Siqueira, Presidente da ASAP e CEO do Grupo Santa Celina, abriu o evento afirmando que o fato de estarmos novamente na Hospitalar mostra que o sistema começa a se preocupar com novos incentivos. “Os envolvidos na cadeia precisam tirar o foco da doença. Se os prestadores passassem a receber um fee mensal pela saúde em vez da intervenção, seria possível mudar”, disse ela.

Em seguida, foi a vez do primeiro palestrante do dia subir ao palco. Christian Morato Castilho, Superintendente de Assistência Ambulatorial da Unimed de Belo Horizonte, vem liderando há dois anos a implantação do modelo intitulado Atenção Primária à Saúde, com foco no vínculo médico-paciente. “Este modelo já foi adotado em vários países da Europa e também no Canadá. Partirmos da ideia de que quanto mais um médico conhece seu paciente, melhores são os resultados. Com este conceito, a Unimed-BH criou o Unimed Pleno, um plano inovador, que trouxe satisfação tanto pela parte do profissional quanto do paciente”, explicou Castilho. “O programa Atenção Primária à Saúde já com conta com quatro unidades de atendimento: duas em Belo Horizonte, uma em Betim e uma em Contagem. Cada cliente passa a ter vínculo com um médico de uma dessas unidades, de acordo com o seu endereço residencial”, completou ele.

Christian Castilho,

Christian Castilho

Neste modelo, foram adotadas novas formas de remuneração. “Elaboramos uma régua de peso relacionada a demanda de pacientes por médicos”, explicou Castilho. Além disso, foi criada uma lista de principais indicadores, que têm o mesmo peso, como taxa de atendimento, tempo de espera e gerenciamento da carteira. “Não existe fórmula pronta, mas está dando certo nos países que nos inspiramos e também nas nossas unidades”, finalizou.

Sem desperdício


A segunda palestra do dia foi do médico Renato Couto, sócio diretor da IAG Saúde. A empresa atua há 25 implantando ferramentas e metodologias de gestão, como o DRG Brasil – Diagnosis Related Groups – Grupos de Diagnósticos Relacionados, uma metodologia que se propõe a aumentar a qualidade e a segurança assistencial, controlando o desperdício. “Este sistema de códigos é mundial e a vantagem dele é que se calibra para a característica de cada país”, disse Couto.

Renato Couto

Renato Couto

O DRG Brasil atua em quatro alvos: uso eficiente do leito, redução de condições adquiridas nos hospitais, redução de readmissões não planejadas e diminuição das internações sensíveis aos cuidados na atenção primária. O objetivo final é dar uma assistência qualificada, com diminuição do desperdício e compartilhamento de ganhos. “Temos alguns cases, como a Unimed de Goiânia e de Porto Alegre e o Hospital Mãe de Deus, também em Porto Alegre”, disse Couto.

Hora de pensar o futuro

Martha Oliveira, Diretora Executiva da Associação Nacional dos Hospitais Privados (ANAHP) foi a terceira palestrante. Ela iniciou sua fala dizendo que, no Brasil, a qualidade ainda não é um valor. “É hora de se pensar um novo modelo, no qual os lados saem no zero a zero. Se um já quer entrar ganhando, não vai dar certo”, disse. Ela afirmou que a forma pela qual os hospitais prestam assistência, cobram por ela e medem resultados mudará num futuro próximo. Uma forma de mudança é o VBHC – Value Based Healthcare. Ou seja, uma reestruturação do sistema de saúde com objetivo de ampliar valor para os pacientes, diminuir a variabilidade, conter escalada de custos e oferecer mais serviços e conveniência aos pacientes.

Martha Oliveira

Martha Oliveira

Uma das maneiras de se fazer isso é por meio de um conjunto de práticas baseadas em evidências que, quando executadas coletivamente e de forma confiável, melhoram os resultados para os pacientes (bundle). “Este sistema pressupõe o compartilhamento de riscos. Por exemplo: o paciente vai fazer uma cirurgia de quadril e o hospital dá garantia de que não vai ter problemas. Ou sejam vai assumir os riscos com o pagador”, explicou Martha. “Estamos numa era diferente. Há alguns anos achávamos que se ficássemos no nosso lugar, sem fazer nada, ia ficar tudo bem. Mas hoje a gente sabe que não é assim. O sistema de saúde vai mudar muito – e rápido”, concluiu.